Líder
da Via Campesina, Rafael Alegria destaca importância da vitória do Partido
Livre para virar a página da exclusão
Leonardo Wexell Severo, de Honduras
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Rafael Alegria no encontro camponês em Tegucigalpa |
A luta pela reforma
agrária é pela justiça social para o campo e para a cidade.
É uma luta longa. São mais
de 55 anos da primeira lei de reforma agrária em nosso país. Hoje continuamos
nesta batalha, agravada pelas políticas neoliberais dos anos 90. Políticas que
detiveram o processo de reforma agrária e liquidaram o acesso à terra,
privatizaram toda a assistência técnica, o sistema financeiro, a comercialização
e iniciou um processo brutal de concentração, de acumulação da terra mais
produtiva de Honduras nas mãos do capital privado nacional e internacional,
empurrando os camponeses de suas pequenas parcelas de terras e esquecendo-se
deles até os dias de hoje.
Qual foi o resultado
político, social e econômico desta política pró-latifúndio?
Isso teve sérias
consequências em todos os âmbitos. O mais grave é a pobreza extrema. Dos quatro
milhões de camponeses hondurenhos, mais de dois milhões e meio encontram-se
jogados na extrema pobreza. É uma situação lamentável em que 59% das nossas
crianças sofrem de desnutrição crônica. As mulheres estão expulsas e
perseguidas por lutarem pela terra e os jovens são obrigados a sair do campo
porque não encontram possibilidade de trabalho. Enquanto vivemos esta situação
bastante difícil, sem salário, sem emprego e sem direitos, importamos 70% dos
alimentos que consumimos dos Estados Unidos e do Canadá. Toda esta situação
ainda é agravada pela criminalização da luta camponesa.
Um processo rumo ao fundo
do poço que foi aprofundado após o golpe de estado de 2009 contra o presidente
Manuel Zelaya.
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Leonardo Severo com Rafael Alegria. Foto: Caio Plessmann |
Qual a sua avaliação sobre a unidade que começa a ser
construída entre os movimentos dos trabalhadores da cidade e do campo?
Considero a unidade desses movimentos fundamental para
garantirmos avanços nas condições de vida e trabalho para todos e todas. Ainda
que o modelo neoliberal tenha golpeado fortemente as organizações ao ponto de
quase tê-las feito desaparecer, nos articulamos em processos unitários e
criamos estruturas como a Via Campesina que reúne seis entidades, fortalecendo
e ampliando a luta pela transformação agrária. Com essa construção coletiva
temos a esperança de que estarão dadas as condições para fazer profundas
transformações e superar o modelo neoliberal com o novo governo, a partir da
vitória do Partido Liberdade e Refundação (Livre). Porque em Honduras temos um
problema de modelo, de sistema, que abandonou os camponeses. Para este modelo,
o trabalhador não existe. Nossa proposta é refundar o campo com soberania
alimentar, com sistema de financiamento, com crédito agrícola, com assistência
técnica, onde as mulheres, jovens e indígenas tenham respeitado o seu direito
fundamental à alimentação, tenham acesso à produção, à geração de emprego e
renda. Esta é a nossa luta.
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