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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Movimentos sociais lançaram em Sorocaba campanha pela democratização da mídia





Lideranças da CUT, do PT e de movimentos sociais lançaram em Sorocaba, no último sábado, dia 18, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, a campanha nacional pela democratização da mídia. A central sindical é uma das coordenadoras da iniciativa no estado de São Paulo. O objetivo é recolher 1,3 milhão de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que pede uma nova lei sobre comunicações no Brasil.

"O novo marco regulatório das comunicações é uma necessidade urgente para o Brasil. A lei atual já tem 50 anos e não acompanhou as mudanças das últimas décadas, especialmente os avanços tecnológicos", afirma Márcia Regina Gonçalves Viana, responsável pela comunicação da CUT Sorocaba e presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Vestuário.
Os palestrantes do evento foram Adriana Oliveira Magalhães, secretária de comunicação da CUT estadual; Leonardo Severo, jornalista e escritor (autor de Latifúndio Midiota); e a deputada federal Iara Bernardi.

Pressionar o Congresso
Iara disse que as organizações sociais estão corretas ao pressionar o Congresso por mudanças na legislação. "A mídia democrática está no plano de governo do PT. Mas a sociedade tem que fazer sua parte e pressionar para que a Câmara e o Senado coloquem o assunto em pauta", afirmou a deputada, que pediu empenho dos movimentos sociais também pela aprovação das reformas política e tributária.
A deputada, no entanto, alerta que a batalha não será fácil. "Quando se trata de veículos de comunicação, o jogo é bruto. Poucas corporações controlam a mídia e elas têm interesses contrários à democratização", afirma.

Interesses feridos
Para Adriana Magalhães, a investida das corporações contra a proposta já começou. "Há um movimento dos grupos que dominam os meios de comunicação, especialmente a TV, que nos acusa de querer a censura. Mas nossa proposta é o oposto, é ampliação do direito de comunicação. Eles difamam nosso projeto porque não querem perder espaço", afirma a secretária estadual da CUT.
Segundo Adriana, 441 veículos de comunicação no Brasil estão nas mãos de apenas seis famílias [entre elas Marinho, Mesquita, Frias e Civita].

Mais opções de mídia
Para o jornalista Leonardo Severo, o estabelecimento de um novo marco regulatório da comunicação "vai permitir que a população tenha opções de mídia que não banalizem a violência, não induzam à erotização precoce das crianças, não estimulem o consumismo desenfreado e não imponham gostos culturais para a sociedade".
Segundo Leonardo, os movimentos sociais têm papel importante na defesa do projeto e como novos produtores de mídia. "O primeiro passo é encarar a comunicação não como gasto, mas como investimento. Sei que o Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba, por exemplo, faz isso. Os sindicatos devem valorizar o diálogo não somente com suas bases, mas também com o conjunto da sociedade. Isso é sindicalismo cidadão", defende.

Presenças no debate
Entre as entidades representadas no evento sobre comunicação no sábado estavam os sindicatos dos metalúrgicos, dos rodoviários, dos papeleiros, dos jornalistas e dos trabalhadores no vestuário; movimento pela igualdade racial; UFSCar; integrantes de rádios comunitárias, Diretório Municipal do PT e os vereadores Izídio de Brito, Carlos Leite e Francisco França.

Como assinar o projeto
Os interessados podem baixar o formulário de assinaturas do projeto de lei de iniciativa popular no site www.cutsp.org.br
É possível assinar o projeto também nas sedes dos sindicatos filiados à CUT na região de Sorocaba.

Principais propostas do projeto de lei
Entre as propostas do projeto de lei de iniciativa popular sobre comunicações estão a regulamentação da Constituição para promover a cultura, a pluralidade e a diversidade de ideias e a garantia de produção de conteúdos regionais com profissionais locais.
O projeto também inclui a criação de limites de tempo para publicidade em concessões públicas de mídia; o aumento de canais públicos de comunicação e o combate ao monopólio, impedindo concentração de grandes emissoras de rádio, TV e jornal nas mãos de um único dono na mesma base territorial.
"Todas as democracias consolidadas (EUA, França, Portugal e Alemanha, entre outras) têm mecanismos democráticos de regulamentação dos meios de comunicação", afirma a CUT em seus materiais de divulgação.

quarta-feira, 6 de março de 2013

50 mil em Brasília saúdam Chávez, defendem investimento público e execram passado neoliberal

Marcha da Classe Trabalhadora e dos Movimentos Sociais destaca necessidade de fortalecer o mercado interno para avançar com mais salário, emprego e direitos
Leonardo Wexell Severo,
 de Brasília
Mais de 50 mil manifestantes tomaram a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, nesta quarta-feira (6) para defender a pauta da classe trabalhadora, que enfatiza a necessidade de ampliar os investimentos públicos em infraestrutura e nas áreas sociais, fortalecer o mercado interno e redistribuir renda, execrando o receituário neoliberal de arrocho e precarização de direitos que tem vitaminado a crise nos países capitalistas centrais.
Contando com a participação de baterias de escolas de samba e bloco de baianas, a sétima Marcha das Centrais Sindicais e Movimentos Sociais por “Cidadania, Desenvolvimento e Valorização do Trabalho” homenageou o presidente venezuelano Hugo Chávez – falecido terça-feira – “pela sua abnegação em defesa da soberania e da integração latino-americana”, e a luta feminista, ainda mais reforçada às vésperas do Dia Internacional da Mulher, por “igualdade de salários e de direitos”.
Concentrados desde as primeiras horas da manhã em frente ao estádio Mané Garrincha, militantes da CUT, CGTB. CTB, Força Sindical, NCST e UGT se revezavam nos caminhões de som para defender sua pauta. “Estamos pressionando para que o governo e o Congresso melhorem sua relação com os movimentos sindical e social e cumpram seus compromissos com a sociedade, o que não está ocorrendo”, declarou a presidenta estadual da CUT Minas Gerais, Beatriz Cerqueira, à frente de uma caravana de 27 ônibus.
48 HORAS DE BUSÃO
Para cobrar atendimento às suas reivindicações, dezenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras encararam longas jornadas. Um dos tantos exemplos, a delegação da Federação dos Municipários do Rio Grande do Sul levou 48 horas de ônibus para somar sua voz. Na Marcha, uma das prioridades da categoria é a regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que estabelece a negociação coletiva no serviço público. “Essa é uma das tantas demonstrações coletivas de compromisso com a luta que tão bem caracterizam a militância cutista. Sabemos que a conquista é fruto das batalhas e que mudanças estruturais como as que estamos propondo vão exigir muito empenho, unidade e mobilização da base”, declarou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.
AMPLIAÇÃO DA LICENÇA-MATERNIDADE
Em frente às tendas das centrais, a coordenadora do Coletivo de Mulheres da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf-Sul), Cleunice Back, colhia assinaturas pela obrigatoriedade da licença-maternidade de seis meses a todas as mulheres trabalhadoras. “Precisamos alterar o conteúdo da Lei 11.770, que facultou a prorrogação da licença-maternidade por mais 60 dias para as trabalhadoras urbanas. Queremos que seja tornada obrigatória a concessão de licença maternidade pelo período de 180 dias para trabalhadoras urbanas e rurais”, disse Cleunice, apontando que a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) defende a necessidade desses seis meses iniciais de contato mãe e filho para assegurar uma vida mais saudável, o que também diminuirá os custos dos governos com o setor.
A secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane Silva, apontou a relevância “deste momento de luta para afirmar a pauta feminista”. Um dos projetos de lei prioritários para as mulheres cutistas, recordou, é o PL que prevê que as empresas privadas e públicas tenham comissões internas para discutir o tema das mulheres nos locais de trabalho. “Isso é chave para debatermos a questão da igualdade salarial, das condições de ascensão profissional, o fim do assédio moral e sexual. Mas há muita resistência do empresariado no Congresso Nacional”, denunciou.
Recepcionando as caravanas,o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM), Paulo Cayres, avaliou que a realização de uma Marcha com tamanha magnitude “amplia infinitamente o poder de barganha dos trabalhadores”. “O foco dado ao fim do fator previdenciário, que é um estelionato nos ganhos do trabalhador que se aposenta, e na redução da jornada teve grande receptividade, mas é preciso ir além e lutar para que se ampliem os investimentos no nosso país e impedir que a redução dos juros sirva apenas para alimentar o lucro dos patrões. É preciso redistribuir  renda”, acrescentou Paulão.
Para o coordenador do Coletivo dos Trabalhadores Indígenas do Mato Grosso do Sul, José Carlos Pacheco, a Marcha acertou em cheio ao unificar a atuação conjunta entre movimentos sindical e social, “pois amplifica lutas comuns, o que coloca pressão para que sejam atendidas mais rapidamente”.
Secretário Nacional de Juventude da CUT, Alfredo Santos Júnior acredita que bandeiras “como a redução da jornada de trabalho são essenciais para conciliar trabalho com estudo, assim como a luta pelos 10% do PIB para a educação e o trabalho decente”. “Hoje temos 67 milhões de jovens, com mais pessoas na população economicamente ativa do que na Previdência, tendência que deve se inverter em 2050. Então, é o momento de aproveitarmos este bônus geracional para pensar lá na frente, para valorizarmos a seguridade, para dar melhores condições para a Previdência pública”, ressaltou.
VAGNER: "CHÁVEZ ESTÁ PRESENTE!"
Diante de um mar de faixas e bandeiras que cobriram a frente do Congresso Nacional, o presidente da CUT Nacional, Vagner Freitas, fez uma saudação especial ao presidente Hugo Chávez, que junto com Lula lutou para construir uma integração inclusiva, com base na soberania e na autodeterminação de nossos países e povos, e não na submissão a quem quer que seja. Em frente ao caminhão de som convertido em palanque a CUT ergueu uma grande faixa com o rosto do presidente venezuelano e os dizeres “Hugo Chávez, presente!”.
Em sua saudação, Vagner Freitas lembrou que todas as conquistas obtidas pelos trabalhadores no último período, como a política nacional do salário mínimo, se deveram à atuação unitária das centrais, mais do que nunca afinadas pela redução da jornada para 40 horas semanais, o fim do fator previdenciário, 10% do PIB para a educação, negociação coletiva no setor público, reforma agrária, 10% do orçamento da união para a saúde, combate à demissão imotivada, valorização das aposentadorias, salário igual para trabalho igual entre homens e mulheres, correção da tabela do Imposto de Renda e mais investimentos.
“A CUT afirma em alto e bom tom: a ação conjunta fortalece o nosso protagonismo. Hoje não vamos apenas entregar nossa pauta à presidenta Dilma, mas defender que se consolide um processo de negociação perene com o governo, como se fosse uma grande Campanha Nacional Unificada das centrais, que garanta avanços, fundamentais para a sustentação do projeto democrático e popular que ela representa”, declarou Vagner Freitas. Na avaliação do dirigente da CUT medidas como a desoneração da folha de pagamento sem contrapartidas sociais acabam atendendo apenas o capital, sem contemplar as necessidades dos trabalhadores.
Várias confederações, federações e sindicatos cutistas também empunharam bandeiras contra a MP 595, “em defesa do patrimônio público nacional, dos empregos e dos direitos dos portuários” e contra os leilões do petróleo, anunciados pelo governo para os próximos meses.
Distribuído amplamente em Brasília, o jornal das centrais manifestou sua solidariedade com os trabalhadores portuários e petroleiros, “mobilizados em defesa do patrimônio público nacional, diante das ameaças de privatização e das concessões em curso”. Tais medidas governamentais, alertam as centrais, “permitem que as transnacionais – vitaminadas com financiamentos públicos via BNDES – avancem sobre setores estratégicos da nossa economia, comprometendo o desenvolvimento soberano do país”.
O presidente da Federação Nacional dos Portuários, Eduardo Guterra, ressaltou o empenho da CUT no enfrentamento aos graves problemas criados pela MP 595, e listou cinco pontos prioritários para serem resolvidos: a isonomia entre portos públicos e privados; a contratação dos trabalhadores via Órgão Gestor da Mão de Obra (OGMO); impedir a privatização das atividades portuárias; manter a guarda portuária e garantir maior autonomia aos Estados.
O avanço do salário mínimo de um patamar de 54 dólares para mais de 300 dólares, lembrou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, é resultado da unidade e da mobilização das centrais. “Se hoje a economia teve um pequeno crescimento ainda, é graças à atuação do sindicalismo, que conseguiu aumento real”, frisou Paulinho.
Saudando a unificação das bandeiras do povo brasileiro, o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah destacou que “além de mostrar a força das centrais, a Marcha demonstra sinergia e compromisso com os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras”. Uma das nossas prioridades, sublinhou Patah, “é o fim do fator previdenciário, uma indignidade que penaliza o trabalhador que deu sua vida, sangue e suor com um redutor de 40% quando mais precisa”.
A unidade da classe trabalhadora também foi apontada como um instrumento estratégico de "luta e de conquista" pelo presidente da Central Geral dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), que reiterou ser necessário "ampliar os investimentos públicos para que o país avance de forma significativa no caminho do desenvolvimento, com mais salários, empregos e direitos". "A defesa do nosso mercado interno, da nossa indústria, dependem de maior investimento público e da prioridade do governo para as empresas genuinamente nacionais",  asseverou Bira.
Para o presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), José Calixto Ramos, essa não foi uma simples marcha, mas "a marcha da integração nacional, que sublinhou a necessidade da valorização dos salários como alavanca propulsora da economia do país". Calixto defendeu uma ação redobrada do movimento sindical brasileiro contra as terceirizações e a precarização do trabalho.
O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, enfatizou que é hora do Congresso Nacional votar questões de interesse do povo brasileiro, do trabalho e não só do capital. Destacando a importância de uma maior pressão sobre o governo e o parlamento, Wagner lembrou a atuação destacada de senadores como Paulo Paim (PT-RS) e Inácio Arruda (PCdoB-CE), em especial pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

“Dilma, eu não me engano, privatizar é coisa de tucano”, entoam manifestantes em frente à Bovespa


CUT, CMP, CGTB, Sindicatos e partidos populares se somaram no ato contra a privatização dos aeroportos e em defesa do patrimônio público

“Dilma, eu não me engano, privatizar é coisa de tucano”, entoaram nesta segunda-feira (6) manifestantes concentrados em frente à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), contrários ao processo de privatização dos aeroportos.

O protesto reuniu militantes do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (SINA), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central de Movimentos Populares (CMP), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido Pátria Livre (PPL), que se pronunciaram contra a entrega do patrimônio público nacional. A privatização dos aeroportos de Cumbica, em Guarulhos, de Viracopos, em Campinas, e Juscelino Kubitschek, em Brasília, que juntos respondem por 30% da movimentação dos passageiros, 57% da carga e 19% das aeronaves do sistema brasileiro foi denunciada como um “crime de lesa-Pátria”.

“É preciso falar o português claro, pois não tem sentido nenhum dar dinheiro público para os estrangeiros virem tomar o que é nosso. Infelizmente é o patrimônio do Brasil que está sendo entregue pelo governo que nós ajudamos eleger. É a pauta dos derrotados, vindo com força”, denunciou Francisco Lemos, presidente do SINA. Lemos lembrou que primeiro o governo disse que não havia dinheiro para modernizar os aeroportos diante da urgência da Copa do Mundo - e que era preciso garantir a participação estrangeira no leilão. Depois, o BNDES foi acionado para financiar a desnacionalização, o que é totalmente absurdo.

Como sintetizou o secretário de Administração e Finanças da CUT Nacional, Vagner Freitas, “a privatização dos aeroportos representa um descarrilhamento do governo”. “A proposta neoliberal de sucateamento do patrimônio público e abertura ao capital internacional foi derrotada nas urnas, pois todos sabemos o que significou a privatização da telefonia, da energia e da siderurgia. Neste momento em que o país precisa crescer e se desenvolver para enfrentar os impactos da crise internacional, não podemos permitir o retrocesso. Ao privatizar os aeroportos, o governo não está sendo leal com o voto das urnas e a CUT não vai admitir esta violência”, ressaltou Vagner.

“Coerente com o que defendemos e pensamos quando enfrentamos a polícia e a repressão nos anos 90, estamos aqui hoje para denunciar o absurdo que é entregar o filé do transporte aéreo brasileiro, os melhores e mais lucrativos aeroportos à iniciativa privada. E pior, com 80% dos investimentos oferecidos pelo BNDES, que é um banco público”, acrescentou Quintino Severo, secretário geral da CUT Nacional.

Representante da CMP, Luiz Gonzaga (Gegê) denunciou a privatização como um retrocesso lamentável e defendeu a mais ampla mobilização da sociedade brasileira para impedir o prosseguimento de tal crime.O presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira destacou a importância da unidade das centrais e do movimento social para a luta em defesa do Brasil. “Nós precisamos de um Estado cada vez mais forte e atuante em defesa dos interesses do nosso povo, do desenvolvimento nacional. Privatizar é o oposto disso, é abrir mão da soberania”, condenou Bira.

Para o diretor executivo da CUT Nacional, Júlio Turra, o momento exige dos movimentos sindical e social uma ação mais contundente, “para não dar vida fácil aos privatistas e aos que querem continuar perpetrando crimes como este contra o patrimônio público”. “Não vamos permitir que continuem metendo a mão em recursos públicos, em dinheiro do BNDES, para dar lucro garantido a meia dúzia de assaltantes”, acrescentou o secretário de Políticas Sociais da CUT São Paulo, João Batista Gomes (Joãozinho).

Membro da direção nacional do PT, Marcos Sokol lembrou que um serviço público essencial, como e o caso dos aeroportos brasileiros, funciona na base de subsídio cruzado, onde a parte lucrativa garante a deficitária. “Agora querem privatizar o filé, deixando o osso para o Estado. Isso é um crime, uma concessão ao capital internacional, é a volta dos que não foram, na realidade. Se há males que vêm para o bem, posso dizer que esse crime contra a nação brasileira não ficará impune”, acrescentou Sokol.

Em nome da Juventude Pátria Livre (JPL), Antonio Henrique denunciou que a privatização dos aeroportos é “um ato praticado pelas viúvas de FHC, que depois de terem vendido 121 estatais lucrativas querem agora continuar entregando aos estrangeiros a nossa fronteira aérea, dilapidando a nossa empresa de infraestrutura aeroportuária”. “O que precisamos é de mais Estado, de empresas públicas para fazer o Brasil crescer”, concluiu.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Rosane Bertotti abre Encontro Mundial de Blogueiros com defesa da gestão pública para garantir Banda Larga

“Para a democratização, precisamos de um novo marco regulatório da comunicação", frisou


Em sua fala na abertura do 1º Encontro Mundial de Blogueiros, realizada no mirante em frente à usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, a secretária nacional de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti, ampliou o coro em defesa da gestão pública para garantir banda larga na internet e reiterou o papel do Estado como garantidor de direitos.


“O Estado tem um papel fundamental para que a comunicação seja mais do que o acesso à informação, que seja um direito de todos e de todas”, ressaltou Rosane, que interviu em nome da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS).


Saudando a presença de centenas de blogueiros de 32 países e de 16 Estados brasileiros, a dirigente cutista destacou que “este movimento tem um papel central para fazer a disputa na sociedade e irradiar experiências”, o que considera fundamental para enfrentar a reação dos barões da mídia. “Para democratizar a comunicação e garantir liberdade de expressão, precisamos de um novo marco regulatório”, sublinhou Rosane, que também é uma das dirigentes do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).


Promovido pelo Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé e pela Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom), o evento tem por tema “O papel da blogosfera na construção da democracia”, reunindo até sábado nomes de expressão como Pascual Serrano, do Rebelión; Ignácio Ramonet, do Le Monde Diplomatique; e Kristinn Hrafnsson, porta-voz do WikiLeaks.


O presidente do Barão de Itararé, Altamiro Borges, parabenizou a participação de cada um que se fez presente para fortalecer a “batalha de idéias” e sublinhou que a luta por um marco regulatório para a comunicação brasileira e por uma banda larga barata e de qualidade necessita de ampla mobilização popular. "Estas são bandeiras que nos unificam e que nos ajudam a enfrentar os impérios midiáticos deformadores de comportamentos e manipuladores da informação", enfatizou Miro, destacando que o êxito da iniciativa se deve também à inestimável contribuição de companheiros como Joaquim Palhares, da Carta Maior, e da jornalista Natália Viana, do WikiLeaks, que conseguiram ampliar a rede internacional.


Diante de um dos esplendores da engenharia brasileira, que consumiu conforme o belo vídeo institucional de Itaipu uma quantidade de cimento equivalente à construção de 210 Maracanãs e ferro para 380 torres Eiffel, o presidente da Altercom, Renato Rovai, exortou os presentes a se empenharem para “construir a democracia na comunicação aproveitando o que a inteligência humana colocou à nossa disposição”. De acordo com Rovai, que é editor da revista Fórum, a realização do evento em Foz do Iguaçu “espaço geográfico que une fronteiras”, dialoga com a perspectiva da luta pela integração em novos patamares. Infelizmente, ressaltou, ainda temos bo Brasil “mais conexões culturais com os países europeus e com os EUA do que com está ao nosso lado. Mas o fato desse evento acontecer aqui ajuda a nos aproximar da América Latina, a construir um espaço que permita a construção de ações políticas reais",”


Conclamando a todos para que se contagiem com “a energia vibrante das águas dos rios Paraná e Iguaçu”, e fortaleçam o debate sobre as novas mídias e sua relevância para a democracia e o desenvolvimento, o superintendente da Itaipu Binacional, Gilmar Piolla, fez um resgate do trabalho social da empresa, que junto com a Sanepar é uma das patrocinadoras do evento.


Em sua saudação o secretário nacional de Comunicação do Partido dos Trabalhadores, André Vargas, reiterou o compromisso do PT com a construção de um novo marco regulatório da mídia e informou que nos próximos dias será realizada uma manifestação na capital paulista, onde a sociedade brasileira vai se expressar em defesa da democracia nas comunicações. Vargas também destacou o compromisso do partido com o Plano Nacional de Banda Larga, frisando que a internet deve ser “de qualidade, barata e, se possível, gratuita”.


Entre outros combatentes pela democratização encontram-se em Foz o jornalista Mariano Vázquez, da Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA) e o equatoriano Oswaldo León, da Agência Latino-Americana de Informação (ALAI).

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Odebrecht demite Comissão de Negociação dos Trabalhadores e infiltra policiais à paisana para perseguir operários

CUT e Conticom protestam contra arbitrariedade e exigem fim do banditismo e respeito à Constituição

Dando as costas à Constituição Federal, a Odebrecht anunciou na última sexta-feira (21) a demissão sumária de 10 trabalhadores da Comissão de Negociação na obra de ampliação da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) em Volta Redonda-RJ, além de aproximadamente 70 operários.


“No dia da demissão, os trabalhadores foram constrangidos e humilhados por policiais à paisana vestindo uniformes da empresa, contratados pela Odebrecht, que se infiltraram no canteiro de obras, a fim de identificar lideranças”, condenou Marcos Aurélio Harting, secretário de Formação da Conticom/CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira) e do Sindicato local, cobrando uma ação ágil e enérgica das autoridades para por fim aos reiterados abusos da empresa.

De acordo com o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Artur Henrique, para início de conversa é necessário garantir a reintegração imediata de todos os trabalhadores demitidos pela Odebretch, bem como a criação de uma mesa para negociar as reivindicações dos trabalhadores. Uma carta com este teor foi enviada por Artur ao presidente da Odebrecht, Pedro Novis.

A Conticom estuda apresentar uma denúncia na Organização Internacional do Trabalho (OIT).
“Além das demissões de aproximadamente 80 (oitenta) funcionários, o cerceamento da liberdade de organização sindical e de comunicação e expressão das reivindicações de seus direitos, caracteriza-se como prática antissindical, nos termos definidos pelas Convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), às quais o nosso país, Brasil, é signatário e se constitui uma afronta da Odebrecht à Constituição Federal”, sublinhou o presidente cutista. 

Tais policiais, esclareceu Hartung, impediram o acesso dos trabalhadores até mesmo aos seus armários individuais onde guardam seus pertences pessoais. “Adicionalmente, impediram os representantes da comissão de conversarem com os trabalhadores, o que é um direito sindical garantido na Constituição Federal”, destacou.

O clima dentro da obra se agravou nos últimos dias, lembrou o secretário de Formação da Conticom, diante da recusa da empresa em negociar as reivindicações da categoria, constantes em pauta unificada apresentada pelo Sindicato local. Os trabalhadores querem adequar alguns itens do acordo coletivo, celebrado em fevereiro, que têm se demonstrado incompatíveis com a realidade específica dessa obra de grande porte e que contratou operários de diversas regiões do país. 

Após ter recebido a denúncia, encaminhada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústria da Construção e da Madeira (Conticom), a CUT ampliou a pressão sobre as autoridades para que aja com agilidade e rigor no combate ao banditismo antissindical e cobrou que a direção da empresa abandone o comportamento feudal e respeite a lei.

Dando continuidade à política de assédio, perseguição e chantagem que relembra a ditadura, a Odebrecht voltou à carga na segunda-feira (24), colocando “encarregados” e “líderes de equipe” para alertar os trabalhadores que qualquer manifestação seria reprimida e os seus participantes demitidos.

Na terça-feira, novamente e empresa voltou a colocar policiais à paisana para perambular e fotografar a assembleia, convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e Montagem de Volta Redonda e Região, que seria realizada em frente à entrada principal da CSN.

 “Não vamos aceitar que em pleno 2011 a Odebrecht utilize marginais fardados para intimidar operários e fazer com que abram mão de direitos e conquistas. O comportamento criminoso desta multinacional brasileira deve ser combatido de forma exemplar pelo governo, que não pode continuar irrigando com dinheiro público empresas que além de não darem a mínima para o trabalhador, afrontam a própria Constituição do país”, afirmou o presidente da Conticom/CUT, Cláudio da Silva Gomes.