Leonardo Wexell Severo
sexta-feira, 3 de julho de 2015
A descoberta dos arquivos do terror na Guatemala
Há dez anos, no dia 5 de julho de 2005, foram encontradas mais de 80 milhões de páginas com assassinatos e desaparecimentos de oposicionistas. Desde a derrubada do governo democrático de Jacobo Árbenz pela CIA, em 1954, mais de 250 mil pessoas morreram.
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quinta-feira, 18 de junho de 2015
Lisboa: "A CIA contra a Guatemala" denuncia crimes antissindicais
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| Antonio Lisboa, da CUT |
“Precisamos amplificar a denúncia sobre os crimes antissindicais que vêm se multiplicando na Guatemala, que é hoje o caso mais grave de perseguição à organização dos trabalhadores em todo o mundo. É importante ressaltar que esta não é só uma questão de garantia de associação ou de defesa de direitos sociais e trabalhistas, mas de defender a própria vida”, afirmou o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa.
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quinta-feira, 11 de junho de 2015
"A CIA contra a Guatemala" e o mural de Diego Rivera
Lanço no próximo dia 23 de junho, terça-feira, a partir das 18h30 na Martins
Fontes, avenida Paulista, 509, meu novo livro “A CIA contra a Guatemala – Movimentos sociais,
mídia e desinformação”, que traz artigos e reportagens sobre os crimes
praticados pelo imperialismo no país centro americano. Ilustrada pelas belas fotografias de Joka Madruga e fortalecida com textos de Nim Sanik, Monica Fonseca Severo e Nicolas Honigesz, a publicação é fruto da minha convivência com revolucionários guatemaltecos durante um ano em Havana, de
viagens a países vizinhos na América Central e de duas visitas recentes à Guatemala. Para
compor a obra, escolhi dois poemas de Che Guevara e Pablo Neruda, ambos datados
de 1954, ano em que a jovem democracia foi sangrentamente atacada em favor dos
interesses da United Fruit Company, a Frutera, e deposto o presidente
nacionalista Jacobo Árbenz.
Leonardo Wexell Severo
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
A vaca tossiu: Cavalo de Tróia ou cavalo de pau?
““Nem que a
vaca tussa ou o boi espirre” é uma expressão popular utilizada por anos a fio para
designar não, nunca, jamais... Assim, para dar a dimensão do impossível, a
presidenta Dilma Rousseff usou durante o processo eleitoral a figura da vaca
para dizer que não mexeria nos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras.
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terça-feira, 9 de dezembro de 2014
“O que vi os israelenses fazerem em Gaza não é obra de seres humanos”
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| Yusif mostra o estrago de uma bomba no teto de um caminhão |
Morador de Rio Branco-AC, Yusif Awni relata os 51 dias de agressão ao território
palestino
Leonardo Wexell Severo
O administrador de empresas Yusif Awni El Shawwa, que vive em Rio
Branco, no Acre, desde 1968, visitava a família em Gaza, entre maio e agosto, quando
foi surpreendido pelos ataques israelenses ao pequeno território palestino. “O
que vi os israelenses fazerem em Gaza quando bombardearam durante 51 dias por
terra, ar e mar, é de uma barbárie indescritível, não é obra de seres humanos,
é um criminoso e covarde terrorismo de Estado”, afirma Yusif. Em meia centena
de dias, Israel matou mais de 600 crianças, ferindo gravemente ou mutilando mais
de duas mil. Nesta entrevista, Yusif lembrou da heroica resistência armada, que
barrou caminho às tropas nazi-israelenses e impossibilitou a invasão,
destacando o papel da solidariedade internacional para garantir a paz com o
reconhecimento da Palestina livre e soberana.
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sábado, 8 de novembro de 2014
Desafios imediatos e históricos da comunicação dos trabalhadores
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| Com os companheiros Vito Gianotti e Luiza (NPC) e Renato Rovai (Fórum) |
Reproduzo abaixo a íntegra da minha intervenção no Curso Anual do Núcleo Piratininga de Comunicação, realizada sábado (8 de novembro), no Centro Cultural da Caixa, no Rio de Janeiro.
“A falta de comunicação é o melhor ingrediente para o distanciamento. A comunicação diária, ainda que somente seja para saudar-se socialmente, garante que não haja distanciamento entre nós. E sem distanciamento não há espaço físico, nem espiritual, nem político, para que se semeie a dúvida”
“Devemos programar nossas ações com estratégia, que é a luz alta, e tática, que é a luz baixa. Precisamos saber o momento de usar uma e outra constantemente. Quem não usa a baixa, tropeça com os obstáculos imediatos, e quem não utiliza a alta, não chega nunca”
General Omar Torrijos
Começo minha intervenção dando eco a essas simples - mas didáticas e esclarecedoras - palavras do general Omar Torrijos, líder que soube ampliar sua capacidade de diálogo e aumentar a consciência e a organização dos panamenhos, mobilizar seu povo e a opinião pública internacional para garantir a retomada do canal, até então ocupado por tropas militares dos Estados Unidos.
Naquele momento, muitas eram as vozes que, brandindo o argumento da “correlação de forças” expunham com os gritos do seu silêncio o medo pânico do império, principalmente numa América Latina tomada por ditaduras militares submissas até a medula.
Os “argumentos” apresentados para o amém à superpotência eram obviamente divulgados à exaustão pelas agências internacionais de desinformação, regiamente pagas pelo Pentágono e pelas transnacionais. Reproduzidas via rádio, jornal e televisão, as mensagens – que visavam a alienação, a apatia e a intimidação -, iam desde a constatação da óbvia desproporção política, econômica e militar existente entre o gigante do Norte e o istmo, até o “alerta” sobre a divulgação da também óbvia importância do empreendimento que une os dois oceanos e as duas costas dos EUA para o governo de Washington, a fim de inibir o crescimento da campanha patriótica. Na prática, o que os ianques queriam evitar – além da perda do Canal do Panamá - era o “exemplo negativo” da retomada da luta dos povos pela sua autodeterminação, colocando uma pá de cal no governo nacionalista.
De forma ativa e altiva, Torrijos não se submeteu aos teóricos da submissão, que se encolhiam e escondiam sob o manto da “correlação de forças” – efetivamente bastante complicada, para dizer o mínimo – a fim de justificar o conformismo com a manutenção do status neocolonial que sugava as riquezas do pequeno país e subjugava o seu povo. Praticando o princípio de que “quanto mais se consulta, menos se equivoca”, e conformando uma ampla rede de comunicação estatal e alternativa, alicerçada nos países do chamado Terceiro Mundo, o líder panamenho foi à luta e venceu.
Quantos caminhos foram iluminados pela estrela da boina de Che? Quantos anos se passaram até que as bandeiras defendidas pelos Mártires de Chicago, lembradas em todos os Primeiros de Maio, ou das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho, recordadas no 8 de Março, conquistassem corações e mentes? Mesmo se suas memórias não fossem lembradas como símbolo de altivez, desprendimento e humanismo, sua luta não teria sido em vão. Se a defensiva é uma péssima conselheira, a intimidação é uma péssima companheira. E a dignidade e a justiça são questões de princípio.
JURO ALTO E CORTE DE INVESTIMENTOS
Conforme a última edição da Carta Capital, “antes das férias, a presidenta Dilma autorizou a equipe a planejar um corte considerável de gastos em 2015, a fim de melhorar as finanças estatais. Em outro gesto capaz de agradar ao mercado, o Banco Central voltou a subir o juro. A taxa estava em 11% desde abril e foi a 11,25%, recorde mundial. É como resumiu um ministro sobre o segundo mandato: o governo virará à direita na economia para tentar ir à esquerda no social”.
Verdade ou não, a declaração demarca um campo e aponta para um gol contra logo no início do jogo. A proposta dos movimentos sindical e social é o oposto: redução dos juros e do superávit primário para canalizar os recursos esterilizados na especulação para vitaminar a produção, fazendo a roda da economia girar com mais emprego, salário e direitos. Pois é precisamente o fortalecimento do poder de compra quem robustece o mercado interno e torna o país mais independente das oscilações da economia mundial.
Temos que ver a negociação política e a mobilização da vontade popular como duas faces de uma mesma moeda, como parte do processo de acúmulo de forças, para que não se capitule diante das pressões da mídia, agente passiva do deus “mercado”. Fazendo uso da luz alta, de que falara Torrijos, precisamos deixar bastante clara a nossa pauta – até para fazer o contraponto ao retrocesso: fim do fator previdenciário, com o fortalecimento da Previdência pública – que vem sendo altamente prejudicada com as desonerações, particularmente para as transnacionais -, reforma agrária e mais recursos à agricultura familiar; redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais; 10% do PIB para a Educação; 10% do Orçamento para a Saúde; democratização da comunicação, reforma política e fim dos leilões do petróleo. Ao mesmo tempo, precisamos fazer uso da luz baixa, apontando para as questões mais imediatas, como é a luta contra o Projeto de Lei 4330, que liberaria para a demissão generalizada dos trabalhadores e a contratação de uma empresa de intermediação de mão-de-obra para reduzir salário, se eximindo completamente de qualquer responsabilidade trabalhista. O fato é que sem uma democratização da publicidade governamental para a mídia alternativa, nossas luzes continuarão bastante prejudicadas.
Neste momento de agudização da crise internacional, em que se amplia a desigualdade e a concentração de renda, ou investimos na conformação e fortalecimento de entidades sindicais para, junto aos demais movimentos sociais, pressionar os governos a alterarem a atual correlação de forças em prol do trabalho, ou nos submetemos pura e simplesmente à reprodução da lógica do capital.
ORGANIZADORES COLETIVOS
E, para este enfrentamento, os meios de comunicação sindical cumprirão um papel político e ideológico essencial de “organizadores coletivos”. Para tanto, é decisivo que recebam os investimentos necessários a fim de que tenham maior profissionalismo, agilidade e abrangência, e fortaleçam sua articulação com a imprensa classista.
Segundo o relatório da fundação internacional Walk Free, cerca de 35,8 milhões de pessoas neste ano encontram-se em situação de escravidão no mundo, percentual 20% superior ao registrado em 2013. Ao mesmo tempo, a concentração de renda explodiu nos Estados Unidos, sendo a maior desde os anos 20, aponta estudo de economistas da universidade de Berkeley: a parcela da riqueza possuída pelo 0,1% do topo nos EUA aumentou de 7% nos anos 1970 para 22% em 2012.
E quais respostas vêm sendo dadas a esta onda neoliberal? Na Europa, a cartilha da Troika (Banco Central Europeu, FMI e Banco Mundial) é transformar a economia dos países em pasto para os especuladores, cortando gastos sociais e reduzindo salários e direitos dos trabalhadores. O desemprego em massa, particularmente no seio da juventude, é apenas um dos trágicos resultados desta “política”.
Em contraposição a esta lógica excludente, temos países como a Venezuela, onde a nova Lei Orgânica do Trabalho dos trabalhadores e trabalhadoras (LOT) entrará em vigor em 2015. Entre outros avanços, a LOT reduzirá a jornada para 40 horas semanais. Como afirmou o vice-ministro do Trabalho da Venezuela, Elio Colmenares, a burguesia tem um modelo econômico baseado na desregulamentação da jornada, em que diz: “trabalhem enquanto possam”, premiando àqueles que fazem mais por fora do horário de trabalho. Tem um sistema de premiação e castigo baseado na demissão, um sistema que promove a alta rotatividade e os contratos por tempo determinado. É isso o que está sendo vendido como modelo a todos os países. E é contra esta lógica que nos insurgimos”.
PLADA
Para fazer o necessário contraponto à pauta do grande capital, reverberada pela grande mídia, a Confederação Sindical das Américas (CSA) construiu a Plataforma de Desenvolvimento das Américas (PLADA), em que coloca como um dos seus principais pontos que “o movimento sindical, junto a outros atores sociais do campo popular, deve ter uma participação ativa na agenda para a democratização da comunicação”, defendendo “garantias para a criação e pleno funcionamento de novos meios de comunicação para e pelos movimentos populares e organizações sindicais”.
A CSA propõe a “distribuição proporcional e igualitária dos espectros eletromagnéticos e das telecomunicações digitais nacionais entre meios comerciais, o âmbito público estatal e as organizações sindicais e sociais”, se “pronuncia radicalmente contra o latifúndio midiático nacional ou transnacional e sua ingerência política descomunal no continente”, defende “a liberdade de expressão” contra “os interesses midiáticos corporativos que só veem os meios de comunicação de massas como instrumento de rentabilidade e incidência na tomada de decisões políticas”, e rechaça “a formação de monopólios e oligopólios na propriedade e o controle dos meios de comunicação que atuam como um poder de fato na sociedade e nos Estados”.
Com esta compreensão, temos atuado em várias frentes, como na rede de comunicação colaborativa ComunicaSul, conformada por sites como o da CUT, Barão de Itararé e Diálogos do Sul, jornais Hora do Povo e Brasil de Fato, para fortalecer os mecanismos de integração, dando maior visibilidade às lutas e conquistas dos povos da nossa região. Seja na Argentina, no 7D, na luta contra o grupo Clarín e os monopólios de mídia; no Equador, com a aplicação da lei de Meios; na Guatemala e Honduras, contra os crimes antissindicais e as privatizações do patrimônio público; na Venezuela, em defesa da revolução bolivariana, ou mais recentemente na Bolívia, cobrindo a reeleição do companheiro Evo Morales e o êxito do processo de nacionalizações e estatizações, temos consolidado uma ampla rede de comunicadores sociais, contribuindo na disputa de hegemonia.
Mais do que nunca, este é o momento de fazermos valer o peso e o papel do Brasil, construindo instrumentos de comunicação e de combate da classe trabalhadora pela sua emancipação. A hora é agora!
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quinta-feira, 24 de abril de 2014
“Povo venezuelano derrotou o golpe estimulado pelos EUA e sua mídia”
Afirmou
Iván González, coordenador político da Confederação Sindical das Américas
(CSA), entidade que representa mais de 50 milhões de trabalhadores de 53
organizações nacionais de 23 países. Na avaliação do dirigente, o problema mais
sério neste momento “é a pouca capacidade do governo venezuelano de enfrentar a
intensa campanha midiática que continua sendo fonte permanente de desinformação”.
Leonardo Wexell Severo
Qual a sua avaliação da situação atual da Venezuela?
Desde o
início, o governo do presidente Nicolás Maduro teve uma postura clara de
abordar e enfrentar os problemas. Assim que começou a violência, incitada por
setores mais radicais da oposição, ele propôs uma agenda que já vinha sendo
construída e estava na sua pauta, desmontando o discurso de “desabastecimento e
insegurança”. Desta forma, no momento em que esse setor oposicionista se lança
à “guarimba” [bloqueio violento de vias com agressões], fica evidente que esta
não era uma demanda da sociedade, mas uma ação orquestrada, desestabilizadora,
de caráter abertamente golpista.
De onde partiram esses ataques?
Os focos
mais violentos – e alguns ainda persistem - se concentraram justamente nos
municípios controlados pela oposição nas regiões mais ricas, com a cumplicidade
ou envolvimento direto das autoridades locais. Este é o caso, entre outros, de
San Cristóbal, no estado Táchira, fronteira com a Colômbia, onde o prefeito
teve plena e comprovada participação nos crimes, e por isso mesmo está preso.
Aí também houve o envolvimento de paramilitares colombianos.
Quem acompanha as notícias pelas agências internacionais vê um país à
beira do colapso econômico e social. O que está acontecendo?
A
realidade é que o nosso país, pois sou venezuelano, nunca foi paralisado, como
tentaram nos fazer crer. A atividade econômica sempre se manteve. Salvo nas
regiões das quais falei, a vida seguiu seu rumo. A população nunca respaldou a
violência. Mesmo opositores que inicialmente participaram de algumas
manifestações pacíficas de protesto, abandonaram as ruas quando elas mudaram de
conotação.
Em que pé se encontram as negociações de paz?
Desde o
primeiro momento o presidente Maduro propôs a realização de uma Conferência
Nacional de Paz, convocando a participação de todos os setores oposicionistas,
os empresários, a Igreja, reconhecendo os problemas do governo. Só quatro
semanas depois, a oposição formal, a Mesa de Unidade Democrática (MUD), se
somou à iniciativa. Com isso o governo isolou o setor mais agressivo, liderado
por Corina Machado, fortalecendo a autoridade do presidente, o respeito à
Constituição e a condenação à violência.
A democracia sai mais fortalecida?
O governo
está muito mais firme. Ampliou sua base, enriqueceu suas propostas com a
contribuição de outras entidades e reforçou o compromisso com uma agenda mais
inclusiva, particularmente com o setor produtivo, reforçando os acordos com a
oposição democrática. Há uma agenda comum de enfrentamento à violência e à
insegurança, de renovação de uma parte dos magistrados do Tribunal Superior de
Justiça e do Conselho Nacional Eleitoral, que serão eleitos por ¾ do Congresso
Nacional, como estabelecido na Constituição, com a participação da oposição.
Qual o papel da Unasul para o avanço do diálogo?
A Unasul
teve um papel fundamental no estabelecimento do diálogo, garantindo o respeito
às instituições democráticas e à soberania do país, afastando as tentativas dos
golpistas de isolar a Venezuela.
Em que pé estão os problemas econômicos ainda existentes?
Há
gargalos como a administração de divisas para a importação, que é uma fonte
constante de especulação e de ataques econômicos. O governo estabeleceu
mecanismos mais transparentes, acordados com os setores produtivos, o que vem
garantindo um maior acesso a divisas, com o dólar mais barato. O objetivo é
fazer com que, no médio prazo, a inflação seja reduzida.
Qual o maior obstáculo a ser superado neste momento?
Acredito
que o problema mais sério é a pouca capacidade do governo venezuelano de
enfrentar a intensa campanha midiática que continua sendo fonte permanente de
desinformação. Quem avalia a Venezuela pelas agências de notícias vê um país
mergulhado no caos, onde falta tudo, com policiais que atiram em jovens
desarmados e um governo reprimindo a torto e a direito quem se manifesta
pacificamente. Não dizem nada sobre o fato de que mais de metade dos cerca de
40 mortos foi fruto da ação desta oposição violenta, não da polícia
bolivariana, que foi vítima de agressões. É preciso esclarecer, porque senão
fica parecendo o que não é.
A quem serve esta campanha orquestrada contra a Venezuela?
Aos
setores mais reacionários e belicosos da administração dos Estados Unidos. São
eles que ficam instigando a oposição e criando um clima para defender sanções
contra a soberania e a democracia na Venezuela. Para isso distorcem os fatos e
não reconhecem qualquer avanço nos diálogos que vêm ocorrendo. Não reconhecem
nem mesmo os setores de oposição que sentaram para negociar. Por outro lado,
com as manipulações da mídia, estimulam e dão visibilidade aos atores mais
violentos, que não querem negociação, mas defendem abertamente a deposição do
governo.
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terça-feira, 22 de abril de 2014
“Reconhecer a República Saarauí é acabar com a última colônia na África”
Karin Lagdaf, representante da Frente Polisário no Brasil, destaca
papel da solidariedade e denuncia emirado do Marrocos por anexação e repressão
Leonardo Wexell Severo
O emirado do Marrocos mantém ocupado, de forma ilegal e
criminosa, desde 1975, a República Árabe Saarauí Democrática (RASD). Nesta
entrevista, o dirigente Karin Lagdaf, representante da Frente Polisário, que lidera
a luta de libertação nacional desde o primeiro governo no exílio, destaca a
importância da mobilização pelo reconhecimento da RASD a partir do crescente isolamento
do emirado. O muro que segrega a República, a fim de superexplorar as suas
riquezas naturais - como o peixe e o fosfato -, é mantido com 117 mil soldados
e seis milhões de minas terrestres.
Temos acompanhado a intensa mobilização da Frente Polisário pelo
reconhecimento da República Árabe Saaraui Democrática. Qual é a situação atual
desta luta pela independência do Marrocos?
A situação está evoluindo bem, não tão rápido quanto
queríamos, mas há avanços claros na luta contra o Marrocos, inclusive no seu próprio
campo. Mesmo os governos dos Estados Unidos e da França começaram a ter mais
reservas e a serem menos agressivos conosco, suspendendo programas e acordos, o
que tem debilitado a ocupação marroquina e a sustentação desta violação no
campo internacional.
Como o emirado do Marrocos tem reagido?
A desgraça continua. A repressão dentro dos territórios
ocupados não diminuiu em nenhum momento. No dia 17 de abril veio um novo
informe da Organização das Nações Unidas e, agora, finalmente, acredito que
teremos uma missão da ONU específica para a questão dos direitos humanos em
nosso país. Causa estranheza que não haja vigilância alguma para uma questão
tão grave como são as reincidentes violações praticadas pelas tropas marroquinas.
Acho que esta nova correlação, mais favorável, se deve ao fato de que o
Marrocos não é mais membro do Conselho de Segurança da ONU.
Como este crescente e amplo leque de apoios para a causa
independentista tem repercutido?
No plano africano temos ampliado e fortalecido apoios em
todos os níveis, desde a direção da União de Sindicatos da África até a
vice-presidência do parlamento africano. O governo do Marrocos com sua decisão
de não reconhecer que a França domina o Senegal e o Camarões está se isolando
cada vez mais. Todas as universidades da Espanha realizaram atos de
solidariedade à luta saarauí. Da mesma forma como ocorreram inúmeros protestos
na Europa contra a presença de bases estadunidenses no Iraque, cresce o apoio
contra a presença do Marrocos em nosso território.
De que forma o agravamento da crise interna no Marrocos tem impactado
a sua capacidade de agressão ao povo saarauí?
O governo do Marrocos está com uma dívida externa de US$ 40
bilhões, o equivalente a mais de 127% do seu PIB e não tem como pagar. No ano
passado isso se refletiu em menos recursos do emirado para o ensino e para a
saúde, o que gerou e continua gerando maior descontentamento interno.
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| Bandeiras do Brasil e da República Saarauí: unidade contra a anexação |
No Paraguai, sob a presidência de Fernando Lugo, íamos inclusive
abrir uma embaixada, mas as relações retrocederam. Na América Latina, fora o
Brasil, a Argentina e o Chile, todos os países, sem exceção, reconhecem a
República Saarauí como um país de fato e de direito. No Brasil, deputados e
senadores já aprovaram o reconhecimento por unanimidade, na Câmara e no Senado.
Infelizmente, até agora o governo ainda não formalizou esta decisão tão
importante. Temos conversado com
importantes amigos, no nível mais alto do Itamaraty, e estamos otimistas, mas ainda
não há nada de concreto. Como é o nosso povo que está sofrendo com a ocupação,
temos pressa.
Fale um pouco mais sobre a ocupação.
Temos um muro que nos divide, onde estão alocados 117 mil
soldados marroquinos e seis milhões de minas terrestres. Há uma separação entre
a parte ocupada com a parte liberada, equivalente a 32% do território. O
Marrocos explora nossas riquezas naturais enquanto mantém centenas de milhares
de saarauís à margem. Quem luta é condenado com penas de 25 a 30 anos pelo
governo marroquino, quando não é submetido à prisão perpétua. Como estamos falando com brasileiros, é bom
lembrar que utilizam companhias do Rio de Janeiro para trazer peixes e
industrializar no Brasil, vendendo fosfato e importando remédio, pólvora e
pesticida. É como se fôssemos a última colônia na África.
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quinta-feira, 10 de abril de 2014
Almada: “O Paraguai se levantou contra a privatização dos setores estratégicos”
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| Entrevistando Martín Almada, prêmio Nobel da Paz Alternativo |
“A greve geral
disse não à Aliança Público-Privada, que é uma má fotocópia do receituário
fracassado do FMI”, afirmou o intelectual e Prêmio Nobel Alternativo da Paz
Leonardo Wexell Severo
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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Herói judeu e ministro de Mandela defende o “fim do apartheid de Israel”
28/11/2012
Ronnie Kasrils
denuncia que “política de terrorismo de Estado de Israel é ainda pior do que a
dos racistas sul-africanos”
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| Ronnie Kasrils, veterano combatente anti-apartheid |
Em seu “Livro das perguntas”, Pablo
Neruda indaga: “Por que as árvores escondem o esplendor de suas raízes?”. E
como se respondesse à inquietação do poeta chileno e ignorasse a minha
pergunta, Ronnie Kasrils, sul-africano de pais judeus de origem russa, nascido
em Joanesburgo, veterano militante da causa antiapartheid e ex-ministro de
Nelson Mandela, iniciou a entrevista exclusiva mostrando o longo caminho
percorrido até o Fórum Social Mundial Palestina Livre em Porto Alegre. Da mãe,
“doce, solidária e humanista”, aprendeu que a segregação a que os negros eram
submetidos na África do Sul, com suas mais variadas formas de abuso e
violência, “era o mesmo tipo de veneno imposto aos judeus na Europa”. Seu pai,
um caixeiro viajante, vendedor de balas e doces para as segregadas e miseráveis
comunidades negras, logo se converteria numa das principais lideranças
sindicais da África do Sul. Desta combinação surgiu a indignação e o desejo da
mudança. Daí até a militância clandestina, estimulado por uma prima comunista,
foi um passo. A pele branca caiu como uma luva para as necessidades do
movimento antiapartheid, até que foi banido de falar em público, de ir às
fábricas, de reunir-se com mais de três pessoas e, finalmente, ficar
desempregado. “A partir de então os racistas me deixaram com todo o tempo livre
para me dedicar à luta contra o apartheid sul-africano”. Por sua luta, Ronnie
Kasrils foi reconhecido como “herói judeu”, título cassado após ter se
pronunciado “contra o apartheid de Israel”. Dirigente do Congresso Nacional
Africano (ANC), Ronnie esteve reunido com Che Guevara, participou ativamente ao
lado de vários combatentes pela libertação do Continente, como Agostinho Neto,
de Angola, e Samora Machel, de Moçambique, e foi ministro de Nelson Mandela. “A
política de terrorismo de Estado de Israel é ainda pior do que a do apartheid
sul-africano, pois o regime de segregação racial não cercava os bantustões –
locais onde os negros eram concentrados e apartados da sociedade branca -
nem os bombardeava com mísseis. Israel ergue muros e pratica crimes diariamente,
covardemente, sem trégua, contra idosos, mulheres e crianças. Como disse certa
vez um comandante militar israelense ao ver as barbaridades praticadas contra a
aldeia de Deir Yassim, Israel está repetindo os nazistas”.
No auditório da Fecosul, Ronnie
debaterá na próxima sexta-feira (30) sobre a Luta Palestina Anti-Apartheid –
desafios, modelos e estratégias para a paz justa.
Abaixo, a íntegra da entrevista, que
contou com a colaboração de Leonardo Vieira.
Como foi a sua participação na luta
contra o apartheid na África do Sul?
A luta política contra o apartheid era
pela não-violência, até que em março de 1960 um protesto pacífico em frente a
uma delegacia de polícia foi banhado em sangue. O massacre deixou 69 mortos e
representou um divisor de águas. Diante da brutal violência e repressão,
discutimos que não havia outro caminho se não a resistência armada. Mandela me
indicou como membro do comando de Durban e iniciamos ações que tinham como alvo
os símbolos do apartheid, como os “Escritórios de classificação” onde os negros
eram catalogados.
Catalogados de que forma?
Os racistas tinham 14 classificações
diferentes para distinguir a inferioridade das raças. Iniciava pelo europeu e
ia até o bantu, o mais negro de todos. Se uma pessoa dissesse que era branca
eles olhavam as unhas, os dentes, como os nazistas faziam. Se um imigrante
viesse do Líbano, devido à colonização europeia, era classificado como branco,
se viesse da Síria era colorido. Atacávamos estes escritórios de classificação
com uma regra: nunca matar ninguém. O objetivo era colocar abaixo os símbolos
da opressão e do racismo. Isso inspirou muita gente a lutar e serviu como
alerta ao regime de que era preciso mudar.
Foi um longo período de resistência até
a realização das eleições e a vitória de Mandela em 1994.
Foram décadas de muita luta, pois os
racistas não estavam dispostos a ceder. A repressão se desatou forte, com
muitos militantes presos, torturados até a morte ou exilados. Neste período
contamos com grande solidariedade de Angola e Moçambique para reconstruir nossa
rede clandestina, que era então a única forma possível de luta.
Quais foram os pilares desta
reconstrução?
Foram quatro pilares. O primeiro foi o
motor da luta política, o povo como força que lidera o processo, com o
sindicalismo à frente, com atuação destacada de jovens, mulheres e grupos
culturais. O segundo pilar foi a montagem da rede clandestina, desde a propaganda,
com a entrega de panfletos, até a infraestrutura para os combatentes. O
terceiro foi a ação armada, com referência na atuação de Mao Tsé-Tung e de Che
Guevara. O quarto foi a solidariedade internacional.
E a reunião com Che Guevara?
Eu me encontrei com Che em Dar-es
Salaam, na Tanzânia, numa reunião em que também estavam Agostinho Neto, de
Angola, e Samora Machel, de Moçambique. A concepção do Che e dos cubanos era
bolivariana, de todos os líderes assumirem o internacionalismo da causa e
contribuírem para a libertação de cada país como se fosse o seu próprio. Era
esta a sua pregação e foi este o seu compromisso até o fim.
Fazendo um paralelo com o momento da
derrubada do apartheid na África do Sul, como vês o papel da solidariedade internacional
contra a política de terrorismo de Estado e segregação levada a cabo pelo
governo de Israel?
O movimento antiapartheid nos deu um
tremendo apoio e impulso em vários momentos em que a situação interna estava
extremamente complicada. Foi uma contribuição inestimável para enfraquecer e
isolar os racistas, pois unia gente de todas as origens e classes. Vale lembrar
que era um Estado muito poderoso, com mais de cinco milhões de brancos. Nenhuma
colônia teve tantos brancos, com raízes no país há muitos anos, grande
exército, economia industrial com abundantes recursos minerais. E os Estados
Unidos e a Europa como defensores, com Ronald Reagan e Margaret Thatcher à
frente. Ao mesmo tempo, os negros eram submetidos à pobreza mais abjeta, à
ignorância profunda, com o regime estimulando a divisão por tribos para melhor
manipular. Se você fosse mestiço ou indiano já era capataz, era assim que
funcionava. Diante deste quadro interno, a solidariedade trazia esperança.
Neste momento, a adoção de uma política
de boicote, desinvestimento e sanções não seria um caminho natural para chamar
o governo israelense à razão?
Acredito na efetividade do boicote
quando ele chega no bolso, pois é onde dói, ajudando as pessoas a abrirem os
olhos e potencializar a resolução desta situação insustentável. Com o boicote e
as sanções, os acadêmicos israelenses que se sentem naturalmente orgulhosos de
suas conquistas repensarão o alto preço pago pelos palestinos. Se houver
boicote de armas e sanções militares, estará minada a capacidade de agressão de
Israel.
Conte um pouco da sua trajetória.
Eu tive de sair da África do Sul em
1963. Tive treinamento militar na União Soviética e em Cuba. Passei pela
Tanzânia, Londres, Angola e Moçambique como chefe do braço armado do Congresso
Nacional Africano até 1990. Fui ministro de Defesa Adjunto de Mandela até 1994,
ministro de Águas e Florestamento em 1999, ministro da Segurança em 2004 até
2008, quando saí do governo. Sempre fui muito incisivo contra a agressão
israelense, ainda mais por ser descendente de judeus, e me tornei um alvo para
Israel e para os sionistas. Visitei oficialmente a Cisjordânia e a Faixa de
Gaza onde pude ver o quão absurda é a manutenção deste criminoso regime de
segregação.
O que sentiste ao visitar os
territórios ocupados por Israel?
Tanto em Gaza quanto na Cisjordânia
senti uma espécie de dejà vu, era como se estivesse de
volta ao regime de apartheid. Na verdade, o que é feito contra os palestinos é
ainda pior do que o apartheid sul-africano. Porque por mais brutal que fosse o
regime, na África do Sul não se bombardeavam os bantustões, nunca houve o uso
de helicópteros, mísseis e tanques. Nas operações, os racistas quebravam
portas, prendiam, torturavam, mas isso durava duas semanas, nunca
indefinidamente, como acontece na Palestina. Estive em 2004 com Yasser Arafat
na sede da presidência da Autoridade Nacional Palestina (ANP) em Ramalah e ele
me disse “não está vendo o meu bantustão?” Eu respondi que aquilo não era um
bantustão e todos me olharam assombrados, como seu eu tivesse relativizando a
gravidade da situação. Mas logo eu respondi que o local era pior do que um
bantustão, porque eles nunca foram bombardeados nem nunca houve muros ao seu
redor.
Uma segregação sem limites.
Qualquer ser humano de bom senso se
sente extremamente chocado com tamanha selvageria. A situação é ainda mais
impressionante quando tais crimes são reproduzidos por pessoas descendentes dos
que sofreram o holocausto. Minha mãe, sempre muito doce, me ensinou os valores
da vida e diante do que via sendo feito com os negros sul-africanos dizia que
as pessoas, quando são submetidas a uma lavagem cerebral, se tornavam nazistas.
Quando viu as crianças palestinas assassinadas na aldeia de Deir Yassin, em
1948, Cizling, um chefe israelense, disse: “Agora nos comportamos como
nazistas”. É inadmissível que alguém com origem judaica perverta desta forma os
ideais humanistas e passe a agir como monstro, praticando punições coletivas.
De que forma o Fórum pode contribuir
para colocar um ponto final nesta sucessão de crimes?
O Fórum Social Mundial Palestina Livre
tem um significado histórico de mobilização da sociedade, principalmente neste
momento em que cresce a pressão internacional para que a ONU reconheça o Estado
palestino como membro pleno. O fato de que esta solidariedade internacional
seja um movimento pacífico mostra o seu intenso valor moral. O fim do apartheid
de Israel contra os palestinos vai beneficiar não só os israelenses, mas também
os judeus pelo mundo afora, a exemplo do que ocorreu quando caiu o regime de
segregação na África do Sul. Muito diferente de representar uma ameaça, o fim
do apartheid liberou os sul-africanos do peso das correntes de uma histeria
militar e conquistou uma harmonia para toda a África, com progresso e segurança
para todos. Tamanhos benefícios só podem vir com uma solução justa. Vale
lembrar que na era dourada do Islã e do judaísmo houve uma convivência
harmoniosa, de elevada solidariedade.
Da mesma forma que Estados Unidos,
Inglaterra e Israel se alinhavam na ONU para blindar o regime de apartheid da
África do Sul, hoje os EUA e a Europa Ocidental se empenham na defesa dos
crimes do Estado de Israel. Qual a sua leitura sobre isso?
O interesse econômico e geopolítico
explica as razões de tamanho apoio dos EUA e dos países da Europa Ocidental,
mas os israelenses têm de repensar essa dependência total, porque o mundo está
mudando. Israel é muito pequena dentro de um mundo árabe enorme. Será melhor
para todos que o governo de Israel saia deste jogo perigoso e busque uma convivência
harmoniosa com a região.
Começou a contagem regressiva para o
final do apartheid de Israel?
Atualmente converso com ministros do tempo do apartheid na África do Sul
e pergunto: o que te fez mudar? E um ministro muito importante me respondeu que
havia sido quando o banco Barclay, da Inglaterra, anunciou que iria sair do
país. Então, disse ele, é o fim pra mim, não tem mais jeito. O início do fim
ocorreu portanto quando o banco do colonialismo inglês, sofrendo as intensas
pressões internas, com as mobilizações, e internacionais, com a onda de
solidariedade, após 200 anos, deixou o país. Isso ajudou a mudar a corrente de
opinião.
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