Leonardo Wexell Severo
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sexta-feira, 3 de julho de 2015
A descoberta dos arquivos do terror na Guatemala
Há dez anos, no dia 5 de julho de 2005, foram encontradas mais de 80 milhões de páginas com assassinatos e desaparecimentos de oposicionistas. Desde a derrubada do governo democrático de Jacobo Árbenz pela CIA, em 1954, mais de 250 mil pessoas morreram.
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terça-feira, 9 de dezembro de 2014
“O que vi os israelenses fazerem em Gaza não é obra de seres humanos”
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| Yusif mostra o estrago de uma bomba no teto de um caminhão |
Morador de Rio Branco-AC, Yusif Awni relata os 51 dias de agressão ao território
palestino
Leonardo Wexell Severo
O administrador de empresas Yusif Awni El Shawwa, que vive em Rio
Branco, no Acre, desde 1968, visitava a família em Gaza, entre maio e agosto, quando
foi surpreendido pelos ataques israelenses ao pequeno território palestino. “O
que vi os israelenses fazerem em Gaza quando bombardearam durante 51 dias por
terra, ar e mar, é de uma barbárie indescritível, não é obra de seres humanos,
é um criminoso e covarde terrorismo de Estado”, afirma Yusif. Em meia centena
de dias, Israel matou mais de 600 crianças, ferindo gravemente ou mutilando mais
de duas mil. Nesta entrevista, Yusif lembrou da heroica resistência armada, que
barrou caminho às tropas nazi-israelenses e impossibilitou a invasão,
destacando o papel da solidariedade internacional para garantir a paz com o
reconhecimento da Palestina livre e soberana.
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segunda-feira, 27 de maio de 2013
Para mídia da Guatemala, negar genocídio é “liberdade de expressão”
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| Mídia afaga o ex-ditador da Guatemala, general Ríos Montt |
Estampando seu racismo, conglomerados
de comunicação guatemaltecos fazem campanha para blindar o general Rios Montt, ex-ditador
financiado pelos EUA e armado por Israel
Leonardo Wexell Severo
“Aí, o exército entrou no
povoado e começou a usar a metralhadora, começou a atirar nas casas...
Mataram uma nossa irmã já
idosa, com 66 anos. Quando o exército chegou, ela segurava uma criancinha
pequena. Estava tentando vestir uma camisetinha na criança, quando o exército a
matou. Foi um tiro na cabeça, outro no coração e dois nas pernas. A criancinha
também morreu, mas não dos tiros: a mulher caiu de bruços em cima dela.
O exército prendeu dois
irmãos órfãos. Não tinham eles pai nem mãe. Um deles tinha 25 anos de idade e
outro dez. Trabalhavam os dois e viviam felizes entre os da comunidade. O
exército os prendeu, os foram arrastando e mataram os dois juntos. Mataram-nos
com pau ou facão, pois simplesmente os deixaram sem cabeça. Depois de causar
essas mortes, o exército queimou as casas da aldeia”.
O relato acima, extraído do livro “A resistência na Guatemala”, de Gurriarán
Javier (Edições Loyola, 1992), dá um quadro do que foram os massacres
perpetrados pelas tropas financiadas pelos EUA e armadas por Israel, “desde a
primeira vez, quando o exército queimou nossas aldeias, no ano de 1982”.
A forte presença do imperialismo estadunidense no país centro-americano remonta
a 1954, com a CIA por detrás do golpe contra o presidente Jacobo Arbenz, que confrontou os interesses da
United Fruit Company ao anunciar a reforma agrária. A partir de então, o regime
acumulou cadáveres. De acordo com números preliminares da ONU, a política de terrorismo
de Estado produziu 250 mil mortos e desaparecidos. Há quem aponte 400 mil. Sem
falar nas centenas de milhares de exilados, num país de menos de 15 milhões de
habitantes.
O tempo passou e, no dia 10 de maio de 2013, após mais de uma década de longo
e extenso processo, a Justiça da Guatemala condenou o general golpista José
Efraín Ríos Montt – que governou o país com mão de ferro entre março de 1982 e agosto
de 1983 – a 80 anos de prisão, devido a prática de “genocídio e crimes contra a
Humanidade”.
Na vasta e sanguinária obra de Ríos Montt, um apóstolo das relações
carnais com os Estados Unidos, consta o massacre de 1.771 indígenas maia-ixil
na região do Quiché. Conforme levantamentos das organizações de direitos
humanos, somente esta etnia teria sido reduzida em 1/3 durante a “gestão” do
ex-ditador, que comandou torturas, assassinatos e estupros coletivos em centenas
de aldeias.
CAVALO DE PAU
Poucas horas depois do tão aguardado juízo contra Ríos Montt, a Corte de
Constitucionalidade deu um cavalo de pau jurídico no processo e resolveu anular
a sentença e determinar novo julgamento, contando para isso com o apoio dos conglomerados
de comunicação, fiéis escudeiros das transnacionais e das empresas locais a ela
subordinadas, na banana, no café e nas terceirizadas à la Bangladesh.
Empenhada na blindagem da política de extermínio, a mídia guatemalteca
já havia se manifestado em uníssono contra a proposta do Centro para a Ação
Legal em Direitos Humanos (CALDH) de “sancionar penalmente as pessoas ou meios
de comunicação” que negassem o genocídio. O Centro também pediu que se estendessem
as sanções a todas “aquelas expressões ou manifestações de conteúdo racial e
discriminatório segundo as recomendações e observações emitidas por
organizações internacionais das quais a Guatemala forma parte”.
Reduto dos barões da mídia, a Câmara Guatemalteca de Jornalismo disse “ver com estranheza” a proposta regulatória, alegando que o
combate ao racismo e ao preconceito violaria o “direito à liberdade de
expressão do pensamento e à liberdade de imprensa”. Seguindo à
risca o ideário neoliberal da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), a
Câmara vê na proposta o dna de “governantes prepotentes e inescrupulosos” da
Venezuela, do Equador e da Bolívia - exatamente os países do Continente que mais avançaram no reconhecimento dos direitos das comunidades indígenas. Alinhada às empresas, a Associação de Jornalistas Guatemaltecos foi mais realista do que o rei,
qualificando de “vergonhosa” a declaração do CALDH, já que “se
vive em um Estado de Direito, onde a liberdade de expressão é um direito humano”.
MÍDIA CALA, POVO FALA
Com faixas,
cartazes e cruzes com o nome de vítimas, milhares de guatemaltecos marcharam na
última sexta-feira (24) pela capital do país para repudiar a anulação da
sentença, acusando a Corte de Constitucionalidade de “promotora da impunidade”
ao blindar Ríos Montt.
Conforme o
último relatório da organização Brigadas Internacionais da Paz, no rastro da
impunidade tem se intensificado as agressões contra os defensores de direitos
humanos. Entre os inúmeros crimes, assinala o documento, está o assassinato de Carlos Hernández, do Sindicato Nacional de Trabalhadores da Saúde de
Guatemala (SNTSG), em março, e de Daniel Pedro Mateo, do Movimento em defesa da
terra e dos bens naturais, em abril.
A
organização também alerta para a ocorrência de “graves agressões” às
comunidades e organizações de San Rafael Las Flores (Santa Rosa), e denuncia a
imposição do “Estado de Exceção” – com toque de recolher – nos municípios de
San Rafael Las Flores y Casillas (Santa Rosa), Jalapa e Mataquescuintla (Jalapa).
Empenhada na defesa do governo do atual presidente
Otto Pérez Molina, um general reformado alinhado com Washington, a mídia guatemalteca tenta transformar todo e qualquer conflito social
em caso de policía, o que tem penalizado sobretudo a organização dos trabalhadores
e camponeses. Devido à política de cerco e aniquilamento das entidades, com 15 sindicalistas
assassinados a cada ano, a taxa de sindicalização despencou a 1,6%.
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