Pensatempo: Quito
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

“Revolução Cidadã”: apaixonante e apaixonada




No Dia do Amor e da Amizade, equatorianos reafirmam apoio a Correa e à primavera de mudança

Leonardo Wexell Severo e Felipe Bianchi, direto de Quito, no Equador

Maria Malta vende flores em
Quito no dia de San Valentín.
Quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013. Dia do Amor e da Amizade, dia de San Valentín e de encerramento das campanhas presidenciais e à Assembleia Nacional do Equador. Observando nossos crachás de imprensa internacional, a vendedora Maria Malta sorri em meio às rosas e ao movimento da freguesia na esquina da Avenida Cristóbal Colón, no centro norte de Quito. Tímida, Maria olha para a câmera e resume a sua decisão para as eleições do próximo domingo: “Correa fez muito pelos pobres, pelos que mais precisam”.

O crescimento dos investimentos públicos, a redução significativa da pobreza, a queda do desemprego (4,6%) e a ampliação dos direitos são componentes decisivos para a alta popularidade do presidente, que exclui somente – e obviamente – os especuladores, fortemente atingidos pela renegociação soberana da dívida externa, pela política de derrubada dos juros e ampliação do crédito. Os setores produtivos, como o de exportação de flores, por exemplo, comemora um crescimento de 13%.
Manifestando sua felicidade por poder enviar uma mensagem ao presidente Rafael Correa, a empregada privada Miriam Taco ressalta que votará “com o coração e a consciência”. “As pessoas 'endinheiradas', chamando as coisas por seu nome, não gostam de Correa, pois ele os faz pagarem seus impostos. Rafael é do povo. Ele deu a mão para nós, o povo pobre do Equador, e tem dado muitos benefícios à classe média. É por isso que ele tem tanto apoio, e eu sou uma delas”.
Para o motorista de táxi Paulo Alexandre Torres, as eleições já estão definidas porque a população reconhece os êxitos obtidos. “Além de estar se desenvolvendo bastante nos últimos anos, graças à qualificação e ao preparo do presidente Correa, o Equador é hoje um dos países mais estáveis do mundo. Faço minha pesquisa aqui em Quito e, apesar de passageiros de taxi geralmente terem uma boa condição econômica, a cada 10 passageiros, oito votam em Correa. Quem fala isso é um humilde taxista, mas que roda muito e conhece as ruas e as pessoas”, frisou.

O taxista Paulo Torres faz sua própria
 pesquisa de intenção de voto: Correa reeleito
Taxista do aeroporto internacional, Luiz Gonzalo discorda: “Correa tem dado muito emprego para os cubanos, médicos e professores. Todo dia desembarcam aviões lotados. Devemos ter uns dois milhões de cubanos neste momento no Equador”. O absurdo da declaração reproduz o discurso preconceituoso e manipulador dos grandes conglomerados de comunicação contra a solidariedade e a integração latino-americana e caribenha, um dos princípios da Revolução Cidadã. Afinal, como grande parte das pessoas reconhece, foi graças às brigadas médicas cubanas que o Equador conseguiu mapear cada um dos seus “discapacitados”, pessoas portadoras de deficiência que passaram a receber apoio financeiro e ajuda individual do Estado. Não por acaso, o feito é um dos carros-chefes da admiração popular.
A jovem professora de inglês Marta Freyre também avalia positivamente o processo de mudanças: "São muitas as melhorias, como as estradas e os avanços na educação. Há muitos projetos, porém nem sempre a Assembleia os apoia. Nestas eleições há muita expectativa de que Correa seja reeleito e que dê continuidade a seu programa”.

Marta Freyre aposta na continuidade dos
avanços da "Revolução Cidadã"
No Equador, os estrangeiros residentes há mais de cinco anos têm direito ao voto, que para eles é facultativo. Mas para o venezuelano “chavista” José Luiz, este é mais do que um compromisso. "Vivo há 5 anos no país e considero muito bonito este processo, pelo qual também passou a Venezuela. Hoje estou militando com os companheiros do Alianza Pais, com Rafael Correa, porque creio que estes são os líderes que necessitamos na América Latina e que estão tornando possível o projeto bolivariano de integração".

Para Luis Landerta, também militante do Alianza Pais, "a oposição faz uma campanha suja, enquanto a nossa é de alegria. Na verdade, não se trata apenas de uma campanha, mas de uma mudança profunda pela qual nossas famílias vêm passando. Vivemos esta realidade, então apoiamos este processo de Revolução Cidadã”. “Apesar dos que tentam nos desinformar e manterem-se no poder, a maioria do povo respalda o presidente e está junto da Revolução Cidadã. Vamos defendê-la porque é nossa”.
Com Luis Landerta e José Luiz: Pela integração
Mais do que em flores, o governo Correa tem apostado na primavera de mudanças para armar politica e ideologicamente o continente contra o retrocesso neoliberal. “Aqui já não mandam os banqueiros, a burguesia, os meios de comunicação, os organismos internacionais, os gringos”, afirmou Correa ao jornal El Telégrafo, na última quarta-feira (13). Sobre os próximos passos se for reeleito, Correa citou o texto constitucional – aprovado após longa batalha contra a direita privatista e entreguista: “Os setores estratégicos devem estar basicamente nas mãos do Estado, a economia popular e solidária, porém também há espaço para a economia moderna. É o que diz a Constituição”.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Ramonet destaca exemplo do Equador na “ofensiva” contra “visão neocolonial” dos monopólios de mídia

Entrevista de Ramonet ao ComunicaSul

“Democratização da comunicação é essencial para os governos enfrentarem a chantagem da mídia reacionária”, defendeu o jornalista do Le Monde Diplomatique

Leonardo Severo, Felipe Bianchi e Caio Teixeira - ComunicaSul - de Quito, Equador

Governos democráticos e populares como o do presidente Rafael Correa, no Equador, são “exemplo” na luta contra os monopólios da desinformação, “que se colocam como quarto poder e fazem o papel dos partidos políticos conservadores em oposição à opção demonstrada pela sociedade nas urnas”, afirmou o jornalista e sociólogo Ignácio Ramonet.

O fundador do Le Monde Diplomatique participou nesta quarta-feira (13), Dia Mundial do Rádio, do programa Enlace de Medios, onde reiterou que “a democratização da comunicação é essencial para os governos progressistas da América Latina enfrentarem a chantagem da mídia reacionária” e não virarem presas fáceis da mercantilização da informação.

“O que antes parecia secundário, hoje é central, esta é uma batalha onde se joga o futuro. Por isso a oligarquia midiática faz tanta chantagem e vive argumentando que a sua liberdade de expressão, a das empresas de comunicação, não pode ter limite. Querem dizer qualquer coisa, de qualquer modo, sem ter que se responsabilizar, sem correr riscos”, declarou Ramonet, na entrevista que teve a participação do Coletivo ComunicaSul de comunicação colaborativa, da Prensa Latina e da Agência Latinoamericana de Informação (ALAI). Comunicadores da Venezuela, do Uruguai e El Salvador também entraram em rede contribuindo com perguntas e questionamentos sobre o uso das agências internacionais e das redes de rádio, televisão, jornais e revistas em instrumento de propaganda contra a construção de alternativas ao neoliberalismo.
Logo após o programa da Associação Latinoamericana de Educação Radiodifusão Radiofônica (ALER), em entrevista exclusiva ao ComunicaSul, o jornalista franco-espanhol lembrou que como os veículos privados são os únicos que chegam ao grande público, “os governos ainda que progressistas” acabam pagando pedágio. “Acabam tendo que passar por estes meios através da publicidade, da publicação de comunicados”.

COMUNICAÇÃO PÚBLICA

Questionado se não era um contrassenso vários dos governos da região continuarem – literalmente – pagando para apanhar, Ramonet defendeu uma política pública de investimento na disputa política e ideológica. “Acho que é muito pertinente que os governos progressistas invistam nos meios públicos. Porque os meios dominantes, como são meios de classe, não falam de todo o mundo, não falam de classes sociais, dos pobres, das culturas periféricas, dos povos originários e da riqueza que podem representar, não falam de muitos aspectos da vida que constituem a realidade cotidiana de milhões de pessoas. Falam de um mundo que somente pertence a uma pequena elite e estão tratando de transferir este universo como um modelo para a maioria da população. Portanto, quando um governo progressista investe em meios comunitários, está dando para a comunidade num bairro, aldeia ou povoado de pescadores a possibilidade de falar do seu aos seus e, consequentemente, dando a possibilidade de uma relação horizontal em termos de comunicação, não unicamente vertical”.

FALAVA-SE DOS EUA E EUROPA, NÃO DOS VIZINHOS

Segundo Ramonet, investir no aprofundamento da democratização é estimular o protagonismo: “Isso é extremamente importante e todos os governos deveriam fazer, não só os progressistas”. Por outro lado, observou, são governos que têm se preocupado em “criar laços entre todos os latino-americanos”. “Por exemplo, antes que se financiasse e criasse a Telesur não havia nenhuma televisão na América Latina que falasse de todo o Continente. Curiosamente, os únicos meios que falavam da América Latina eram norte-americanos, a CNN e outros canais. Em muitos países da nossa América se falava do país em questão, dos Estados Unidos e da Europa, mas não se falava do país vizinho. Creio que isso está mudando, tomando maior consciência da necessidade de conhecer-se melhor, efetivamente. Se te conheces melhor, te aprecias melhor, te valorizas mais e fortalece tua autoestima. Não ficas com o olhar paternalista, colonial ou condescendente que vem do exterior. A América Latina é agora um continente já adulto, bem maior, com níveis de desenvolvimento intelectual, acadêmico e, agora, político, e já não necessita um olhar neocolonial sobre suas atividades”, concluiu.

Ouça a entrevista completa de Ramonet para o programa Enlace de Medios

Acompanhe a cobertura completa do processo eleitoral do Equador pelo comunicasul.blogspot.com