Pensatempo: libertação
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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Xiomara de Zelaya: “Decisões dissociadas do interesse popular são traição à Pátria”

Texto e foto: Leonardo Wexell Severo, San Pedro Sula-Honduras

Xiomara Castro de Zelaya discursa na cidade de Villanueva
“Nosso compromisso é com a construção de uma democracia participativa em Honduras, onde o povo tenha voz e voto em todas as ações do governo”, afirma Xiomara Castro de Zelaya, candidata do Partido Livre (Liberdade e Refundação) às eleições presidenciais do próximo 24 de novembro. Nesta entrevista exclusiva em San Pedro Sula, Xiomara agradece a solidariedade do povo brasileiro com o ex-presidente Manuel Zelaya, seu marido, e destaca o papel do Estado e do protagonismo popular para um desenvolvimento inclusivo e soberano.

Lideras todas as pesquisas de intenção de voto à presidência. Quais as suas expectativas para Honduras e para a integração latino-americana?

Em primeiro lugar gostaria de agradecer ao povo brasileiro pelo acompanhamento e o respaldo que têm nos brindado durante todos esses anos. A luta que empreendemos nesse momento é para reverter o golpe de Estado realizado em Honduras e fazer com que esta batalha de resistência contra o entreguismo e em defesa da soberania seja vitoriosa. É com esta consciência que o povo hondurenho está se mobilizando, mandando uma mensagem à América Latina para que nunca mais, em nenhum dos países do nosso Continente, volte a ser cometido um golpe de Estado.

Como pensas retomar o patrimônio público que os golpistas entregaram às transnacionais e aos seus testas-de-ferro ao longo destes anos?

Nós, do Partido Livre, estamos fazendo uma proposta bem clara, que é a refundação do país. Esta é a nossa resposta frente às duríssimas e difíceis condições em que se encontra o povo hondurenho após esses últimos quatro anos. Temos hoje um país completamente militarizado e que é, apesar disso, o mais violento do mundo. Desde o golpe, em 2009, mais de 24 mil pessoas foram assassinadas. Mas o golpe não nos trouxe só violência. Fez, além disso, que nosso país esteja entre os últimos lugares em competitividade no mundo, pois não há possibilidades nem condições dignas de trabalho. A pobreza aumentou mais de 7%, zerando todos os avanços que havíamos tido durante o governo do presidente Zelaya. Como este modelo fracassou, nós estamos propondo uma nova forma de governar, iniciativas que deem respostas às necessidades do povo, que garantam equidade, justiça e paz para todos. Por isso propomos a refundação de Honduras, nos mobilizamos para reconstruir a Pátria.

Uma vez eleita, por onde seu governo iniciará esta reconstrução?

Com Xiomara e Caio Plessmann de Castro, em San Pedro Sula
Nós defendemos um socialismo democrático para começar esse processo a partir de um governo que governe para todos e não para um pequeno grupo. É necessário reconciliar o povo hondurenho e para isso propomos um pacto social entre todos os setores do país, através de uma Assembleia Nacional Constituinte. Precisamos criar uma nova Constituição. Antes de tudo, ela deverá expressar o sentir e o pensar de cada um dos setores ali representados, refletindo sobre qual é o Estado que queremos, onde se defina cada um dos poderes do Estado, quais as suas funções e responsabilidades no desenvolvimento nacional. Porém que também se garanta participação cidadã, para que nunca mais um Congresso Nacional respalde um golpe de Estado. Defendemos uma Constituição que reflita a necessidade de convocar o povo hondurenho a construir leis para beneficiar a comunidade e o país. Não podemos mais permitir a imposição de leis que atentem contra a soberania popular. Aqui foram feitas leis por meio das quais entregando nossos recursos, onde estão entregando nossas minas, leis que estão confrontando e tirando os direitos que o povo foi adquirindo a partir das suas próprias lutas, como a do magistério, dos operários e dos camponeses. Quanto às leis anti-povo, nós as podemos revogar através da Assembleia Nacional Constituinte. Nós nos comprometemos com o povo e sentimos que hoje, mais do que nunca, a Constituinte tem valor e sentido em nosso país. Mais de 80% dos pesquisados em Honduras concordam e apontam que a saída para fazermos as transformações radicais que estamos propondo passam, necessariamente, pela efetivação de um pacto social por meio da Constituinte.

Há muita expectativa em relação às mudanças já nos primeiros dias do novo governo. Do ponto de vista econômico, quais as medidas emergenciais a serem adotadas?

A situação econômica de Honduras é muito difícil. No período em que o presidente Manuel Zelaya estava governando a dívida interna representava 17% do Produto Interno Bruto, enquanto neste momento alcança mais de 60% do PIB. Ou seja, o governo se sustentou a partir do golpe de Estado com créditos e empréstimos, comprometendo parcela expressiva dos recursos públicos do presente e do futuro da nação. Isso faz com que precisemos tomar medidas radicais.

Quais seriam essas medidas?

Em primeiro lugar é preciso readequar a dívida para garantirmos os recursos necessários ao desenvolvimento nacional. A dívida foi feita com prazos curtos e juros muito altos, então é preciso reduzir os juros e alongar o prazo para o seu pagamento. Da mesma forma, é preciso que todos os recursos que consigamos sejam direcionados a gerar mais empregos, renda e crescimento econômico. É necessário investir na produção, é necessário ampliar os investimentos para que o campo volte a produzir. Nos últimos quatro anos se investiu muito pouco na parte agroindustrial do país, na agricultura. Nós temos que assegurar a alimentação do povo hondurenho, assegurar também que se apliquem recursos com taxas de juros baixas, para se fomentar a construção. Claro, todos esses pontos dependem de criarmos no país uma democracia com bases sólidas, uma democracia participativa onde o povo tenha voz e voto em todas as ações do governo.

Com negociação coletiva e garantindo os direitos dos trabalhadores, algo que os golpistas suprimiram por completo.


Exatamente, vamos virar essa página. Nós temos muito claro que é preciso revogar as leis que foram impostas pelos golpistas contra os professores, por exemplo. Eles modificaram a legislação para entregar os recursos que pertencem ao povo, que são patrimônio da nossa população, praticamente liberando para que se possa liquidar e expropriar as terras dos camponeses. Vamos revogar estas leis por meio da Constituinte, garantindo ao povo hondurenho que as decisões tomadas nunca mais sejam dissociadas do interesse popular, do interesse da Pátria. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Povo líbio rechaça invasores e retoma mais três cidades


Após libertar Bani Walid dos mercenários e colaboracionistas dos EUA/Otan, resistência recupera Warchafana, Sabha e Tarhouna
 
Após a retomada de Bani Walid das mãos dos colaboracionistas e mercenários dos EUA/Otan, a bandeira verde, símbolo da independência nacional líbia e da revolução liderada pelo líder Muamar Kadaffi, também voltou a tremular nas cidades de Warchafana, Sabha e Tarhouna.

O crescente rechaço da população contra os entreguistas do Conselho “Nacional” de Transição (CNT) está sendo reconhecido até mesmo pelas agências internacionais – comprometidas até a medula com a política de sangue por petróleo – como a britânica Reuters e as estadunidenses Fox News e CNN.

Conforme o doutor Yusuf Shakir, um dos líderes da resistência, em Bani Walid todo o batalhão de mercenários “28 de maio”, organizado pelos EUA-Otan,  foi feito prisioneiro por civis e membros da tribo de Rafla na semana passada, tendo sido capturados dez veículos com armamento pesado, um conjunto de tanques e um ultra moderno equipamento de comunicação estadunidense.

LEVANTES


Além destas cidades, há informações sobre manifestações e levantes populares recentes no sul da Líbia, na própria capital, Trípoli, e em Benghazi, tida como berço da contrarrevolução, onde há subúrbios como Alkwyfah e Khalifa Sidi quase inteiramente liberados.
O número de mortos e feridos na capital é indefinido, com a repulsa ao CNT sendo cada vez mais sentida. Até membros de setores reacionários, como o da “Revolução” de 17 de Fevereiro – data do início dos protestos em Benghazi contra Kadaffi – acabaram se unindo aos combatentes kadafistas da Resistência Verde numa frente comum contra os mercenários do CNT, acusados como responsáveis pela “destruição da Líbia” e pelos criminosos bombardeios que deixaram mais de cem mil mortos desde o início da invasão.
Diante do agravamento da crise, do avanço das forças nacionalistas e das disputas intestinas pelo butim entre os assaltantes, o governo dos Estados Unidos decidiu enviar mais 12 mil militares ianques para tentar dar “estabilidade” à sangria do petróleo líbio.

OCUPAÇÃO

Além da forte presença militar ianque nas cidades portuárias – e ricamente petrolíferas - de Al Brega e Ras Lanuf, o Pentágono está instalando uma base em Wau Al Kebir (900 quilômetros ao sudeste de Trípoli e a 240 quilômetros ao norte da fronteira com o Chade) muito próxima de Wau an Namus, quase na fronteira com o Chade e ao noreste da fronteira com o Níger.

Mesmo pelas notícias filtradas das agências internacionais, o Pentágono tem muito com o que se preocupar. Na cidade de Misrata, localizada 200 quilômetros a leste de Trípoli, os combatentes da Resistência Verde da célula “Thaer Sirte” e dos batalhões “Almazara” e “Elrassifa” emboscaram uma tropa que se deslocava a Bani Walid. Na ação, foram abatidos 40 mercenários de várias nacionalidades, e destruídos 14 veículos com armamento pesado. Após a ação, a resistência lançou um novo comunicado, conclamando a unidade de todas as tribos para varrer os invasores do país.