Pensatempo: estadunidense
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segunda-feira, 4 de março de 2013

“Johnny vai à guerra” com o FNDC




Leonardo Wexell Severo

Após ser vitimado por uma explosão durante a Primeira Guerra Mundial, o soldado Joe Bonham acorda, mutilado, num leito de hospital, e tenta se comunicar em busca de alguma informação sobre a sua situação. Aos poucos - sem braços, pernas, olhos, orelhas, dentes, maxilar e língua - vai tomando consciência, descobrindo que o que restou de seu corpo praticamente lhe impossibilita o diálogo, reduzido que está à mera experiência do complexo militar estadunidense.

Cena do filme Johnny vai à guerra: crítica demolidora
Batendo a cabeça na cama, busca por meio do código morse alertar que não é apenas um “pedaço de carne” e quer ver atendido um único desejo: ser exposto para mostrar a todos o real significado da palavra guerra. Condenado ao silêncio perpétuo, sem a liberdade de expressão para alertar sobre o circo de horrores do qual se vê prisioneiro - sustenta o soldado coisificado - a vida não teria sentido.

Enquanto a agonia da realidade pulsa na tela em preto e branco, a narrativa do que foi o jovem – seus sonhos e devaneios – nos perturbam em cores vivas com a cadência de um monólogo interior. “Johnny vai à guerra”, do escritor e roteirista estadunidense Dalton Trumbo, uma das tantas vítimas da perseguição do fascismo macarthista, desmonta a máquina de guerra e suas mentiras.

“Senil imprensa infantil” - como Marx caracterizou um dos tantos jornais de seu tempo -, usada para deletar nossa memória, a velha mídia tenta, pela repetição à exaustão de canções de ninar, adormecer nossa consciência. Apóstola da mentira, sobrevive do caldo da incultura e maniqueísmo de suas Globos e Vejas, temendo a democratização da comunicação como um vampiro treme diante da luz.

As recentes declarações do Ministério das Comunicações servem a esta “liberdade do privilégio” e nos fazem refletir sobre o alerta do escritor moçambicano Mia Couto: “entre parecer e ser vai menos que um passo, a diferença entre um tropeço e uma trapaça”.

O secretário executivo de dito balcão dos barões da mídia e das teles alega que “em ano pré-eleitoral” – quem dirá no eleitoral, que no Brasil é de dois em dois anos - não seria adequado trazer à tona o debate sobre a regulamentação do setor. Talvez porque afugentaria financiadores tão prestativos de algumas candidaturas amestradas. De quebra, para não deixar qualquer margem de dúvida, o Ministério anuncia R$ 60 bilhões em isenções para vitaminar as empresas de telecomunicações – quase todas estrangeiras – colocando uma pá de cal na Telebrás e no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) proposto pelo governo Lula.

A campanha que o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), entidades populares e movimentos sociais coloca nas ruas exige um novo marco regulatório para o setor, alertando, dialogando e mobilizando a sociedade contra o inconstitucional oligopólio midiático, que se crê invulnerável e inatingível.

Felizmente, apesar da ausência de apoio governamental, a mídia alternativa cresce, espraia consciências e vem fortalecendo a estratégica iniciativa do FNDC. E a bela canção começa a unir vozes e a incomodar a orquestra de cifrões e obediências.

Contra os que prostituem a verdade e acreditam que assim será para todo o sempre, é bom lembrar o general imperialista – tão bem ridicularizado por Eduardo Galeano -, que se media ao despertar e a cada dia se achava mais alto. Até que uma bala interrompeu seu crescimento.

Que assim seja.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

EUA deslocam franceses e impõem agente da CIA, Elkib, como novo chefe do CNT na Líbia

“Homem de negócios” das transnacionais do petróleo tem nacionalidade estadunidense

De nacionalidade estadunidense, o “intelectual” e “homem de negócios” do setor petrolífero, Abdelrahim Elkib foi “eleito” como novo chefe do governo líbio pelo Conselho “Nacional” de Transição (CNT). 

Indicado a dedo pelo governo dos Estados Unidos, onde mora há 35 anos, Elkib – um dos “financiadores” da agressão à Líbia, conforme seus apoiadores no CNT - tem sólidos vínculos com a CIA e também com a British Petroleum e a Shell. A “escolha” desloca do centro de poder agentes pró-franceses como o expresidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil, e seu antecessor, o “premiê interino” Mahmoud Jibril.

O mais novo chefe dos marionetes da Otan integra o Departamento de Engenharia Eletrônica do Instituto de Petróleo dos Emirados Árabes Unidos (PI) em Abu Dhabi, centro de pesquisas que está “filiado” à Universidade de Maryland e à Colorado School of Mines nos EUA – ambos turbinados por dólares das transnacionais petrolíferas. 

Elkib se formou nas universidades da Carolina do Sul e Carolina do Norte, onde também deu aulas. Além disso foi professor na Universidade do Alabama e da Universidade Americana de Sharjah, nos Emirados Árabes.

As pesquisas do novo chefe líbio foram financiadas por instituições norte-americanas como a National Science Foundation (NSF), a Electric Power Research Institute (EPRI) e o Departamento de Energia dos EUA. Além disso, trabalhou como “consultor” das também estadunidenses Alabama Power Company (APCO) e Southern Company (SC).

A importação e a imposição de Elkib reforça a posição da base operativa do Comando da África do Pentágono (Africom), criado por Bush em 2008, que passa a ameaçar agora diretamente Argélia, Egito, Tunísia, Niger, Mali e outros países do continente.

Com informações da Resistência líbia