Pensatempo: Obama
Mostrando postagens com marcador Obama. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Obama. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Obama, a quantas crianças mataste hoje?


Dave Lindorff, publicado no Hora do Povo

 
Pessoalmente, me pareceu que o discurso inaugural do presidente foi não só insípido, como também indecente, alcançando seu ponto mais repugnante no final, quando disse o seguinte:
“Nós, o povo, ainda cremos que a segurança e a paz duradouras não necessitam de una guerra perpétua… Mostraremos o valor suficiente para tentar resolver de forma pacífica nossas diferenças com outras nações, não porque sejamos ingênuos acerca dos perigos aos que nos enfrentamos, mas porque o compromisso, mantido de forma duradoura, pode acabar com a suspeita e o temor… E devemos ser fonte de esperança para os pobres, os enfermos, os marginalizados, as vítimas dos preconceitos, não por mera caridade, mas porque em nossa época a paz necessita que sigam constantemente avançando os princípios que nossa crença comum descreve: tolerância e oportunidade, dignidade humana e justiça.”
Enquanto assim falava, as fábricas estadunidenses estavam produzindo, segundo as condições estipuladas nos contratos do Pentágono, frotas de aviões teleguiados que diariamente fazem chover seus explosivos sobre homens, mulheres e crianças inocentes em países com os quais nem sequer os Estados Unidos está em guerra. A maioria dos ataques com esse tipo de aviões tem sido aprovada pessoalmente pelo nosso presidente, o laureado com o Prêmio Nobel, que proclamou seu direito – que ninguém replicou, nem o Congresso, nem o Poder Judicial - a ordenar que se liquide a qualquer um que considere que pode ser um terrorista, assim como às pessoas, incluídas crianças, que pudessem se encontrar nas imediações.
O resultado desta política de terrorismo de Estado tem sido um horrível e criminoso massacre de crianças, uma carnificina que se tem escondido e tanto o presidente como  Pentágono negam completamente.
“Nós o povo”, levando em conta o livro de estilo do presidente, temos sido cúmplices ao ignorar essa brutal carnificina. “Nós, o povo”, que nos encolhemos de horror ante o massacre de 20 inocentes alunos do primário em Newton, Connecticut, não dedicamos um único pensamento, nem uma lágrima, às milhares de crianças inocentes assassinadas em nosso nome por nossas “heróicas” forças armadas no Iraque, Afeganistão, Paquistão, Iêmem e em outros lugares, por nossa aviação teleguiada, presidencialmente orientada, no Afeganistão, Paquistão, Iêmem e Somália, e através de nossas armas em mãos de aliados e combatentes rebeldes em lugares como a Síria, Gaza, Cisjordânia, Somália, etc.
Tão somente na tentativa de trazer à luz o monstruoso crime deste presidente, aqui vai uma documentada lista de crianças, coletada pela organização DronesWatch , algumas de tão somente um ou dois anos, assassinadas pelos aviões teleguiados estadunidenses (ordenadas por nome, idade e sexo):
PAQUISTÃO
Nur Aziz (8) menina; Abdul Wasit (17) garoto; Nur Syed (8) menina; Wajid Nur (9) menino; Syed Wali Shah (7) menino; Ayisha (3) menina; Qari Alamzeb (14) menino; Shoaib (8) menino; Hayatullah KhaMohammad (16) garoto; Tariq Aziz (16) garoto; Sanaullah Jan (17) garoto; Maezol Khan (8) menina; Nasir Khan, menino; Nai m Khan, menino; Naimullah, menino; Mohammad Tahir (16) garoto; Azizul Wahab (15) menino; Fazal Wahab (16) garoto; Ziauddin (16) garoto; Mohammad Yunus (16) garota; Fazal Hakim (19) garoto; Ilyas (13) menino; Sohail (7) menino; Asadullah (9) menino; khalilullah (9) menino; Nur Mohammad (8) menina; Khalid (12) menino; Saifullah (9) menino; Mashuq Jan (15) menino; Nawab (17) garoto; Sultanat Khan (16) garoto; Ziaur Rahman (13) menino; Noor Mohammad (15) menino; Mohammad Yaas Khan (16) garoto; Qari Alamzeb (14) menino; Ziaur Rahman (17) garoto; Abdullah (18) garoto; Ikramullah Zada (17) garoto; Inayatur Rehman (16) garoto; Shahbuddin (15) menino; Yahya Khan (16) garoto; Rahatullah (17) garoto; Mohammad Salim (11) menino; Shahjehan (15) menino; Gul Sher Khan (15) menino; Bakht Muneer (14) menino; Numair (14) menino; Mashooq Khan (16) garoto; Ihsanullah (16) garoto; Luqman (12) menino; Jannatullah (13) menino; Ismail (12) menino; Tasil Khan (18) garoto; Zaheeruddin (16) garoto; Qari Ishaq (19) garoto; Jamshed Khan (14) menino; Alam Nabi (11) menino; Qari Abdul Karim (19) garoto; Rahmatullah (14) menino; Abdus Samad (17) garoto; Siraj (16) garoto; Saidullah (17) garoto; Abdul Waris (16) garoto; Darvesh (13) menino; Amir Said (15) menino; Shaukat (14) menino; Inayatur Rahman (17) garoto; Salman (12) menino; Fazal Wahab (18) garoto; Baacha Rahman (13) menino; Wali-ur-Rahman (17) garoto; Iftikhar (17) garoto; Inayatullah (15) menino; Mashuq Khan (16) garoto; Ihsanullah (16) garoto; Luqman (12) menino; Jannatullah (13) menino; Ismail (12) menino; Abdul Waris (16) garoto; Darvesh (13) menino; Ameer Said (15) menino; Shaukat (14) menina; Inayatur Rahman (17) garoto; Adnan (16) garoto; Najibullah (13) menino; Naimullah (17) garoto; Hizbullah (10) menino; Kitab Gul (12) menino; Wilayat Khan (11) menino; Zabihullah (16) garoto; Shehzad Gul (11) menino; Shabir (15) menino; Qari Sharifullah (17) garoto; Shafiullah (16) garoto; Nimatullah (14) menino; Shakirullah (16) garoto; Talha (8) menino.
IÊMEN
Afrah Ali Mohammed Nasser (9) menina; Zayda Ali Mohammed Nasser (7) menina; Hoda Ali Mohammed Nasser (5) menina; Sheikha Ali Mohammed Nasser (4) menina; Ibrahim Abdullah Mokbel Salem Louqye (13) menino; Asmaa Abdullah Mokbel Salem Louqye (9) menino; Salma Abdullah Mokbel Salem Louqye (4) menina; Fatima Abdullah Mokbel Salem Louqye (3) menina; Khadije Ali Mokbel Louqye (1) bebê; Hanaa Ali Mokbel Louqye (6) menina; Mohammed Ali Mokbel Salem Louqye (4) menino; Jawass Mokbel Salem Louqye (15) menina; Maryam Hussein Abdullah Awad (2) menina; Shafiq Hussein Abdullah Awad (1) bebê; Sheikha Nasser Mahdi Ahmad Bouh (3) menina; Maha Mohammed Saleh Mohammed (12) menina; Soumaya Mohammed Saleh Mohammed (9) menina; Shafika Mohammed Saleh Mohammed (4) menina; Shafiq Mohammed Saleh Mohammed (2) menino; Mabruk Mouqbal Al Qadari (13) menino; Daolah Nasser 10 years (10) menina; AbedalGhani Mohammed Mabkhout (12) menino; Abdel-Rahman Anwar al Awlaki (16) garoto; Abdel-Rahman al-Awlaki (17) garoto; Nasser Salim (19) garoto.
Dave Lindorff é estadunidense, fundador do coletivo This Can’t Be Happening (Isso não pode estar acontecendo) e co-autor do livro Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion  (Sem esperança: Barack Obama e a política da ilusão).

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Manifestantes derrotam repressão e reocupam Wall Street



Diante da tomada do centro financeiro do império por estudantes, sindicalistas, organizações comunitárias e sociais - manifestantes do “Ocupa Wall Street” - que reivindicam o fim do privilégio aos bancos e um basta na imensa concentração de riqueza, o governo dos Estados Unidos trocou George Washington por Washington Luiz, tratando o grave problema social como caso de polícia.

A violência da repressão, com a utilização de centenas de policiais, helicópteros, caminhões, balas, bombas e nuvens de gás lacrimogêneo, multiplicou o número de presos e feridos graves em Nova Iorque e em algumas das 100 principais cidades por onde o protesto, que já dura dois meses, se espraia. A agressão e o sangue derramado provocaram um tsunami de solidariedade ao movimento, ridicularizando as cínicas pregações de Barack Obama e Hillary Clinton sobre “democracia” e “direitos humanos”. 

A evacuação do acampamento ocorreu no meio da noite com tropas amparadas por holofotes de helicópteros e imensos faróis em caminhões para cegar com jatos de luz, somada a uma camioneta com ensurdecedores “canhões de som”. Os policiais ganharam carta branca para atuar com a segurança da impunidade – diante do brutal impedimento a qualquer cobertura da imprensa. Foram confirmadas várias prisões de jornalistas, incluindo dois da AP (Associated Press), um do Daily News e um blogueiro do New York Times, além do vereador Ydanis Rodriguez. Tais ingredientes turbinaram a reação à ditadura do capital financeiro.

A reprovação popular vai além das duras críticas ao desastre político-econômico que isenta impostos dos ricaços em meio à escalada do desemprego – que atinge 25 milhões de pessoas - e ao alastramento da miserabilidade que atinge 49 milhões de norte-americanos. Os protestos aumentam de tom, indo à própria raiz antidemocrática de um sistema “caduco” que, privilegiando 1%, dá às costas aos 99%.

Como expressou um manifestante expulso por policiais da Praça Liberdade, em Nova Iorque, durante a madrugada: “Não podem desalojar uma ideia cujo momento chegou”. Outra mensagem postada nas redes sociais ironizava o fato da polícia ter ocupado a praça: “Só esperamos entender quais são as suas demandas”. A crítica é uma alusão ao argumento corriqueiramente utilizado pelos meios de comunicação a serviço dos especuladores, de que falta ao movimento Ocupa uma plataforma. É assim que a mesma mídia que invisibilizou as reivindicações durante as primeiras três semanas - e que agora desinforma sobre os seus pleitos – tem pautado as suas coberturas.

Em Nova Iorque, a ordem de expulsão ocorreu a uma da manhã, quando foi dado aos manifestantes apenas dez minutos para deixar o local, sob pena de prisão. A biblioteca de cinco mil livros foi completamente desmantelada e virou escombros, assim como a cozinha que oferecia comida grátis, a clínica que atendia a todos, o centro de comunicação e, logicamente, as barracas onde pernoitavam cerca de 200 pessoas. No total, 146 manifestantes da praça e outros 24 que haviam ocupado um pequeno parque – que se negaram a abandonar o local - foram cercados, algemados e presos, um a um, e jogados ao chão sob as botas dos policiais.

Contatadas via celular e internet, centenas de pessoas que se deslocaram em solidariedade aos acampados no meio da noite foram impedidas de chegar ao local e mantidas distantes pela truculência policial. “Como podem dormir à noite fazendo isso?”, “Desobedeça as ordens, tu também és dos 99%”, “Isto não é o fim de nada, é o início de algo novo”, foram algumas das conclamações e questionamentos lançadas pelos populares que conseguiram chegar até o local, apesar do fechamento das estações de metrô e demais meios de transporte durante horas. Um indignado veterano de guerra disparou: “Eu dei sangue e partes do corpo por este país para isso?”
Ao anoitecer de terça-feira uma decisão judicial manteve a proibição do acampamento, impedindo os manifestantes de levar barracas ou comidas à praça. Determinados, os “indignados” não arredaram pé e reocuparam, erguendo a voz: “Todo o dia, toda a semana, ocupa Wall Street”.