Por Altamiro Borges*, em seu Blog
De forma irresponsável e criminosa, ele garantiu que "a milícia boliviarana tem 50 mil soldados prontos para a guerra" e outros "60 mil expedicionários cubanos armados" para derrotar a oposição. Num total desrespeito ao povo venezuelano e à democracia, disse ainda que Chávez se sustenta graças à "ignorância popular" e à "distribuição de porções de esmola".
Num linguagem típica dos serviçais da CIA, o "calunista" da famiglia Marinho não poupou os governos da América Latina que manifestaram sua solidariedade ao presidente Hugo Chávez e defenderam a estabilidade democrática na Venezuela. Sobre o Brasil, Jabor novamente atacou o assessor Marco Aurélio Garcia, que "recebe ordens de Cuba". As mentiras difundidas numa concessão pública da televisão mereceriam uma rápida resposta do poder concedente. Mas, no Brasil, Jabor e outros tralhas esbravejam suas patifarias sem qualquer responsabilidade. A única manifestação contra as bravatas de Jabor coube à corajosa embaixada da Venezuela no Brasil.
Reproduzo a íntegra da sua nota divulgada nesta sexta-feira (11):
Além de desrespeitar os venezuelanos,
povo irmão do Brasil, e de proferir acusações sem base nos fatos reais,
o comentário de Arnaldo Jabor nesta quinta-feira, 10 de janeiro, no
Jornal da Globo, demonstra total desconhecimento sobre a realidade de
nosso país.
Existe hoje na Venezuela, graças à decisão de um povo que escolheu ser
soberano, um sistema político democrático participativo com amplo
respaldo popular, comprovado pela alta participação da população toda
vez que é convocada a votar em candidatos a governantes ou a decidir
sobre temas importantes para o país. Desde que Hugo Chávez chegou ao
poder, o governo já se submeteu a 16 processos democráticos de consulta
popular – entre referendos, eleições ou plebiscitos.
Não nos parece ignorante ou despolitizado um povo que opta por dar
continuidade a um projeto político que diminuiu a pobreza extrema pela
metade, erradicou o analfabetismo, democratizou o acesso aos meios de
comunicação e que combina crescimento econômico com distribuição de
renda. Esse povo consciente de seus direitos não se deixa manipular
pelas mentiras veiculadas por um setor da mídia corporativa – essa que
circula livremente também na Venezuela.
Considerando o alto grau de organização e conscientização da população
venezuelana, não são nada menos do que absurdas as acusações feitas por
Jabor da existência de um aparato repressor contra o livre pensamento.
Na Venezuela, civis e militares caminham juntos no objetivo de garantir a
defesa, a segurança e o desenvolvimento da nação. É importante lembrar
que se trata do mesmo comentarista que em 11 de abril de 2002, quando a
Venezuela sofreu um golpe de Estado que sequestrou seu presidente
durante 48 horas, saudou e comemorou este ato antidemocrático, durante
comentário feito na mesma emissora, a Rede Globo.
* Altamiro Borges é jornalista, secretário de Questão da Mídia do
PCdoB e presidente do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé.
